<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849</id><updated>2012-02-15T20:14:46.457Z</updated><title type='text'>Vendo-me</title><subtitle type='html'>inteiro ou por peças</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>um parvo qualquer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06702601649040023387</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>43</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-2427640121544892187</id><published>2012-01-26T21:03:00.000Z</published><updated>2012-01-26T21:32:21.693Z</updated><title type='text'>01.01.2002</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-yvCGExUv2Ok/TyG78yt-B0I/AAAAAAAAALw/QbXfJ6cg7sM/s1600/Documento%2Bdigitalizado.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="364" src="http://1.bp.blogspot.com/-yvCGExUv2Ok/TyG78yt-B0I/AAAAAAAAALw/QbXfJ6cg7sM/s400/Documento%2Bdigitalizado.jpg" width="516" /&gt; &lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Uep5g7g6F90/TyHEAyB6VUI/AAAAAAAAAMk/_4whcbRSaFU/s1600/Documento%2Bdigitalizado3.redimensionado.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-Uep5g7g6F90/TyHEAyB6VUI/AAAAAAAAAMk/_4whcbRSaFU/s1600/Documento%2Bdigitalizado3.redimensionado.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-2427640121544892187?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/2427640121544892187/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=2427640121544892187&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/2427640121544892187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/2427640121544892187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2012/01/01012002.html' title='01.01.2002'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-yvCGExUv2Ok/TyG78yt-B0I/AAAAAAAAALw/QbXfJ6cg7sM/s72-c/Documento%2Bdigitalizado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-2364680824135749735</id><published>2012-01-10T19:08:00.000Z</published><updated>2012-01-10T19:08:14.585Z</updated><title type='text'>gambas</title><content type='html'>- afinal o que é isto que nós temos? &lt;br /&gt;- isto o quê?&lt;br /&gt;- isto, sei lá, também não sei..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a expressão dela passou de sensata a insegura, arrependida de ter falado no assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sarita, já falámos disto, eu não quero uma relação agora, pensei que estávamos na mesma onda. também não quero que estejas à espera de outra coisa e te magoes.&lt;br /&gt;- sim, mas eu concordo contigo, foi o que eu pensei! só queria uma confirmação.&lt;br /&gt;- ok. ainda bem, porque gosto disto, da nossa despreocupação.&lt;br /&gt;- eu também. assim como estamos. no strings attached.&lt;br /&gt;- óptimo.&lt;br /&gt;- só precisava de ter a certeza disso, quer dizer, já estamos nisto há umas semanas.&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- mas não que isso seja um problema, só perguntei porque queria definir isto. agora já está. está tudo bem :)&lt;br /&gt;- definir? ahah, mas o que eu não quero é precisamente uma definição disto, tonta.&lt;br /&gt;- sim, é isso, indefinição, também é isso que eu quero ahah. expressei-me mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;abusei um bocado no tom e até na lógica, tenho tendência para isso quando estou em modo solteiro, o ego e o propósito anulam-me as réstias de humanidade e conduzo a auto-estima dos outros no fio da navalha. até posso corrigir a mão se não correr bem, mas despreocupado com o resultado. perco o medo de desiludir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o que vais fazer hoje depois do trabalho?&lt;br /&gt;- não sei.&lt;br /&gt;- queres passar cá?&lt;br /&gt;- não sei, eu logo te aviso, mas hoje à noite queria tratar do IRS.&lt;br /&gt;- não trataste a semana passada?&lt;br /&gt;- não, o Pedro ligou-me, enfim, acabei por fazer outras coisas.&lt;br /&gt;- e não podes tratar aqui?&lt;br /&gt;- Sara, vá lá. eu aviso-te.&lt;br /&gt;- está bem. diz qualquer coisa, posso passar no supermercado a comprar coentros e faço um mega spaghetti gamberetti! abrimos um vinho e tal.. ou uns martinis com romã. hum!&lt;br /&gt;- ok Sara. se der eu aviso.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-2364680824135749735?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/2364680824135749735/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=2364680824135749735&amp;isPopup=true' title='34 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/2364680824135749735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/2364680824135749735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2012/01/gambas.html' title='gambas'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>34</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-8791237927097757440</id><published>2011-12-21T00:47:00.000Z</published><updated>2011-12-21T13:03:14.394Z</updated><title type='text'>o milagre da multiplicação</title><content type='html'>chega a época de pôr em perspectiva algumas matérias que me desanimam no resto do ano, e regra geral, o desânimo mantém-se. mas a pressão de uma sociedade alienada com as festividades obriga-me a dizer que são matérias sem importância vital, pior era se estivesse morto. sim, isso é inegável, além de idiota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;este ano vi-me imbuído do espírito do Natal Passado. chegou hoje quando acordei, com a memória dada como morta de um episódio da minha 3ª classe, quando a professora se dirige a nós em tom natalício e sugere que tenhamos uma hora do recreio mais alargada, até que os pais nos viessem buscar. para tal teríamos apenas, cada um de nós, que inventar um problema matemático para um colega rifado resolver. à medida que fôssemos resolvendo poderíamos ir saindo. esta foi a primeira professora com quem fantasiei sexualmente. não por este episódio. bom, achei que merecia menção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na 3ª classe a dificuldade de um problema matemático é risível, pelo menos da perspectiva de alguém com um cérebro completo, a mim calhou-me uma redução de metros para centímetros ou de maçãs para laranjas, não consigo precisar, mas a besta calculista e mesquinha que há em mim redigiu para um colega aleatório uma multiplicação de 3 coeficientes na casa dos milhões. era fácil, mas trabalhoso para um miúdo de 7 anos acabado de aprender a multiplicar. calhou ao Pedro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu lembro-me de entregar o meu exercício das laranjas, passar pela carteira dele, vê-lo ainda na primeira linha e ter sentido a felicidade que só uma criança consegue sentir por uma filha-da-putice bem calculada. ao sair da sala já estava com alguma pena dele. no recreio nem eu nem ninguém se lembrava que o Pedro existia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi certamente o recreio mais longo do meu ensino primário, foi muito divertido, havia um lanchinho para todos, fizemos montes de coisas que os miúdos da 3ª classe fazem nos recreios, e rimos muito, mas o Pedro não. o Pedro ficou 3/4 do recreio de Natal a tentar resolver o meu problema. quando saiu da sala, já metade das crianças tinha ido embora com os pais. saiu triste e foi sentar-se sozinho junto a um muro grande e feio. na verdade nem me lembro dele ter saído da sala. na verdade inventei o nome Pedro, porque nem me lembro do nome do rapaz, mas achei que era desumano evocá-lo nesta história deprimente sem sequer o conseguir identificar. Pedro, ou lá como é que tu te chamas: se és meu amigo no facebook, desculpa-me. do fundo do meu coração. desejo-te um bom Natal junto das pessoas e/ou dos animais de quem mais gostas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-8791237927097757440?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/8791237927097757440/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=8791237927097757440&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/8791237927097757440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/8791237927097757440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2011/12/o-milagre-da-multiplicacao.html' title='o milagre da multiplicação'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-2339115452849470695</id><published>2011-10-28T01:12:00.000+01:00</published><updated>2011-10-28T01:19:13.062+01:00</updated><title type='text'>consanguinidade</title><content type='html'>ao fim de anos de convivência com uma pessoa deixamos de prestar atenção a detalhes, com uma vida demasiado preenchida pela necessidade de fazer dinheiro, pelos sonhos esparsos, pelos filhos, pela crise, pela tentativa de não deixar tudo desagregar-se, facilmente a Filipa estaria a enganar-me sem que eu percebesse. na primavera desta relação... no verão, vá lá.. aí não, aí eu estava atento, ela também, não havia minuto fora de casa que não soasse a adultério, tudo bem explicado quando chegasse, cada olhar, cada "boa noite", cada curva até casa. resquícios de relações mal passadas transportadas disfarçadamente para essa nova esperança, o cadáver esquisito que saltou do armário à primeira conversa fora de tom. mas enfim, foi definhando, confio na Filipa como se não houvesse forma de me sentir traído. confio. não vejo motivos nela para me trair. por exemplo, por vezes penso que morreu sexualmente, já não acha piada a actores rebuçado, não fala de sexo nunca, se faço uma piada que envolva pila sorri distraída, fode em piloto automático ao domingo à noite. mas alguém poderia argumentar que o problema sou eu, que não lhe interesso, que não me esforço por lhe despertar interesse, que alguém mais homem que eu, talvez até assexuado mas adulto, sensato e influente ou filósofo revolucionário e com barba, a arrebataria e a faria deixar-nos a todos cá em casa sem roupa lavada, nem mãe, nem amiga, nem sexo, nem nada. não se trata disso. posso garantir que ela deixou de ver a humanidade dividida em géneros, no sentido mais desinteressante do conceito, e eu faço parte do seu clã, uma inevitabilidade. ela parece-me feliz. pergunto-lhe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Filipa.&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;-Filipa.&lt;br /&gt;-hã?&lt;br /&gt;-és feliz?&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;-Filipa..&lt;br /&gt;-o quê?&lt;br /&gt;-és feliz comigo?&lt;br /&gt;-claro que sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;parece-me feliz. também deixou de prestar atenção a detalhes, é natural, como eu deixei. posso traí-la sem que ela o sonhe. posso traí-la com a Sónia, que isso lhe é invisível. não tenho com a Sónia uma relação profunda, por isso é satisfeita em cada troca clandestina de beijos na cozinha em jantares de amigos, cada mão nas coxas descobertas por baixo da mesa, é obviamente isso que alimenta essa relação, a clandestinidade. e é essa relação que alimenta a minha relação com a Filipa e a relação da Sónia com o Pedro. serve perfeitamente esse propósito e sabemos bem como conduzir e manter a tesão no seu auge e as hormonas a salivar pelo fim de semana. não há discussão do tema, não há troca de mensagens insonoras, nem telefonemas a meio de uma tarde de trabalho. não nos falamos ao longo da semana. só falo com o Pedro à sexta feira e pergunto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-jantar cá em casa?&lt;br /&gt;-pode ser, deixa-me falar com a Sónia. mas em princípio sim, ela quer sempre.&lt;br /&gt;-ok, também ainda não falei com a Filipa, mas ela também quer sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-2339115452849470695?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/2339115452849470695/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=2339115452849470695&amp;isPopup=true' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/2339115452849470695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/2339115452849470695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2011/10/consanguinidade.html' title='consanguinidade'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-8631968387635985026</id><published>2011-10-25T11:44:00.000+01:00</published><updated>2011-10-25T11:44:25.563+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;object height="25" width="535"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/5ftNbsofBi0&amp;amp;hl=pt_PT&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/5ftNbsofBi0&amp;amp;hl=pt_PT&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="500" height="25"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-8631968387635985026?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/8631968387635985026/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' 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infinito</title><content type='html'>- a sofia? está boa?&lt;br /&gt;- está. acho que sim.&lt;br /&gt;- achas?&lt;br /&gt;- sim. acho que está.&lt;br /&gt;- ok.. e o francisco? já fala?&lt;br /&gt;- diz mamãmã, quando fica rabujento.&lt;br /&gt;- boa. e papápá? não diz?&lt;br /&gt;- não.&lt;br /&gt;- tens que o ensinar.&lt;br /&gt;- achas? não me tinha passado pela cabeça tal coisa.&lt;br /&gt;- tudo bem, mas tens-te esforçado por isso?&lt;br /&gt;- sim, acho que sim.&lt;br /&gt;- não pareces muito certo de nada.&lt;br /&gt;- não. ando farto, não me apetece ter certezas.&lt;br /&gt;- então está bem.&lt;br /&gt;- e tu? que é feito?&lt;br /&gt;- nada de especial. quer dizer, no outro dia enrolei-me com uma gaja no aniversário da sara, já te tinha dito?&lt;br /&gt;- a loira de calções-cueca?&lt;br /&gt;- sim. a joaninha, é a prima do caruso.&lt;br /&gt;- já.&lt;br /&gt;- pois, tirando isso não tenho feito mais nada.&lt;br /&gt;- e o trabalho, está a correr bem?&lt;br /&gt;- sei lá, não tenho paciência para aquela merda. olhe, fáxavor?&lt;br /&gt;- pois, eu até tenho paciência para o meu trabalho, ganhei-a nos últimos meses, desde que o francisco foi para a creche. agora cada vez que chega o fim da tarde e tenho que o ir buscar sinto que o dia me escapou por entre os dedos e só espero a hora de o ir deitar para trabalhar mais um bocado em casa.&lt;br /&gt;- sim, diga sefáxavor...?&lt;br /&gt;- sim, traga mais duas imperiais. queres mais uma imperial?&lt;br /&gt;- não, obrigado. não consigo acabar esta, acho que deixei de gostar de álcool.&lt;br /&gt;- é só um fino então? sim senhor...&lt;br /&gt;- deixaste de gostar de álcool?&lt;br /&gt;- acho que sim.&lt;br /&gt;- mas então o que é que se passa, estás farto do puto?&lt;br /&gt;- não, o puto é espectacular, mas falta-me a minha vida. tenho saudades de fazer coisas de improviso, de não ter que vir para casa ao fim do dia. tenho saudades de me enrolar com a prima da sara.&lt;br /&gt;- quem é a prima da sara?&lt;br /&gt;- aquela com quem te enrolaste.&lt;br /&gt;- não, essa é a prima do caruso! já a comeste?&lt;br /&gt;- não meu, é em sentido figurado.&lt;br /&gt;- ah...? ok.&lt;br /&gt;- tenho saudades de fazer o que me apetece. de ser solteiro ou poder tornar-me solteiro de um dia para o outro.&lt;br /&gt;- não estás fixe com a sofia?&lt;br /&gt;- acho que sim, mas a sofia só vê o puto à frente, não fala do trabalho dela. chega a casa e começa a aquecer a comida do francisco, dá-lhe, depois brinca com ele um bocado na sala. parece divertida. depois dá-lhe banho e depois eu vou deitá-lo. quando saio já ela está no sofá a ler um livro ou um blog sobre bebés, passado um bocado adormece. depois acorda estremunhada e vai para o quarto sem dizer boa noite. e eu fico sozinho na sala.&lt;br /&gt;- não falam?&lt;br /&gt;- entre duas destas coisas tento falar com ela. responde telegraficamente. nem me deixa ajudá-la com o francisco.&lt;br /&gt;- olha, um gajo nunca está contente com o que tem. eu tenho saudades de ter namorada e adorava já ter um puto. o teu puto é muita fixe!&lt;br /&gt;- foda-se, acho que o meu telemóvel tem gravador de voz. como é que se liga? espera, deixa-me enviar um SMS para mim próprio "t-e-n-h-o-s-a-u-d-a-d-e-s-d-e-t-e-r-n-a-m-o-r-a-...."&lt;br /&gt;- oh, sempre te disse que gostava de assentar, 35 anos, já começa a ser urgente, vou ter que arranjar uma miúda de 25-30 para me dar 5 ou 6 filhos, que a partir dos 40 já é arriscado para elas.&lt;br /&gt;- o seu fino...&lt;br /&gt;- tazia-me também uns tremoços? queres tremoços?&lt;br /&gt;- não, estou farto tremoços. olha, deixa-me lembrar-te uma coisa. tu já assentaste umas 10 vezes. como estás viciado nessa vidinha de puta, encontras sempre problemas nas tuas namoradas de 5 meses.&lt;br /&gt;- se tu já tivesses estado com 864 mulheres, a tua mulher ideal também era um frankenstein de virtudes de todas elas. os defeitos de qualquer nova gaja seriam exponenciais para ti, porque já os conhecias a fundo. mas pior, por vezes, procurarias na tua mulher ideal várias virtudes incompatíveis entre si para o mesmo traço de personalidade, o que é um suicídio antes de nascer. julgas que eu nunca pensei nisso? ando aqui a dormir sobre a minha vida? simplesmente tenho que encontrar alguém que me faça esquecer de forma inexplicável todos essas virtudes e todos esses defeitos das mulheres passadas. alguém que faça click, mas sobretudo bum! alguém por quem me vou apaixonar estupidamente, como o Toy no seu sucesso de verão. acredito verdadeiramente que essa mulher existe. até lá estou a fazer prospecção, a passar o tempo e a afagar o ego, porque também eu preciso de carinho, meu paneleiro.&lt;br /&gt;- ok, é por isso que enfias lá em casa de malas e bagagem qualquer mulher que ultrapasse as duas semanas de quecas? esquecendo o pormenor hilariante de julgares que estar apaixonado é garante de uma relação decente, se não estás sequer apaixonado porque é que queres forçar essas relações de infantário? já agora casa-te e engravida-as num mês. se a intenção é poder partilhar as histórias dos teus amigos comprometidos, fá-lo em grande.&lt;br /&gt;- comigo, falo, é sempre em grande.&lt;br /&gt;- hã?&lt;br /&gt;- olha lá, eu quando decidi viver com a rita estava completamente apaixonado. quando vivi com a madalena estava perdidamente apaixonado. quando vivi com a carlota joaquina estava estupidamente apaixonado. não ia tomar essas decisões sem ter certezas.&lt;br /&gt;- epá, então não sei que te diga. tens umas certezas de merda. mas eu sei o que se passa. tu já não sabes o que é estar apaixonado ou então até sabes, mas já estás vacinado, já não consegues. até duvido que consigas ter tesão com todas as miúdas que metes no saco.&lt;br /&gt;- e se não conseguir ter? quem tem boca vai a Roma. ahah. e eu não estou vacinado. eu gosto de ser solteiro, mas adoro sentir aquela ansiedade, quando sabes que ela está interessada, mas se mostra a cagar para ti, e até te liga e manda SMS a saber de ti, para ver se tu te sabes comportar e cortejar uma menina (e eu sei!) e depois encontras-te várias vezes, mas não devias porque és solteiro e gostas de ser e estás a arriscar a liberdade, mas gostas de ir ter com ela e voltar a vê-la nua, epá, sei lá. adoro essa fase da paixão, sempre igual, sempre diferente.&lt;br /&gt;- foda-se, isso não é a fase da paixão, isso é a fase do engate. sugiro o trumps.&lt;br /&gt;- não pá, a fase do engate é quando ainda não te enrolaste.&lt;br /&gt;- ouve, és um puto.&lt;br /&gt;- ah sou? tu tens um filho e não sabes se o queres e eu sou um puto? pelo menos sei usar preservativo.&lt;br /&gt;- ai o caralho! estás parvo??&lt;br /&gt;- os tremocinhos...&lt;br /&gt;- obrigadinho. de certeza que não queres mais nada, puto?&lt;br /&gt;- foda-se! traga-me então também mais uma imperial fáxavor.&lt;br /&gt;- então?! e eu ando aqui para trás e para a frente? vão querer o quê a seguir, carago?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-3150800615163194585?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/3150800615163194585/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=3150800615163194585&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/3150800615163194585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/3150800615163194585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2011/08/um-olho-na-merda-outro-no-infinito.html' title='um olho na merda, outro no infinito'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-6156419503535585414</id><published>2011-08-11T00:29:00.005+01:00</published><updated>2011-08-11T13:47:42.225+01:00</updated><title type='text'>quero foder contigo</title><content type='html'>era a música de Enapá que tocava no bar. na casa de banho conseguia ouvir-se toda a sala a cantar em uníssono, bêbados e desafinados. as mulheres cantam sempre mais alto e embebedam-se com pouco. atrás de mim estava um gajo que não se calava a falar da gaja do balcão. em urinóis eu não consigo mijar com alguém atrás de mim, sobretudo se ele não se cala e está cambaleante a mandar-me encontrões. daí a pouco iria notar que eu estava ali há demasiado tempo.&lt;br /&gt;- então amigo? isso vai? está difícil..&lt;br /&gt;- estou a masturbar-me. fala-me mais da gaja do balcão.&lt;br /&gt;- heisch... que nojo, estás a bater uma? fóda-ssssss...&lt;br /&gt;ao falar com bêbados é preciso avaliar bem o tempo disponível para assimilação de uma piada, se não houver tempo de a compreender, ou de lha explicarmos, ele vai ser literal e básico e vai lá para fora contar aos amigos. foi o que aconteceu. mas finalmente consegui mijar. ao sair, estava ele com mais 2 amigas e 3 amigos "Foi este!" a olhar-me com cara de nojo, gozo e desprezo. uma das miúdas sorriu para mim. lavei daí as minhas mãos e atirei-me para a multidão que continuava a alimentar a sua necessidade de Yupiais na maioridade, uma rapariga de buço que momentaneamente ficou presa na corrente humana que me levava gritou-me ao ouvido Se tu não foderes comigo Não foderei contigoooo!.. sorri amarelo e ela tentou beijar-me, desviei a cara mas ainda senti a sua língua áspera de álcool passar-me pelos lábios, como me acontecia com o cão do meu tio quando eu era puto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;consegui chegar à porta mais ou menos ileso. cá fora estava um gajo que me entregou uma imperial.&lt;br /&gt;- então, foste cagar? ahah&lt;br /&gt;tirei um cigarro, acendi-o.&lt;br /&gt;- tu és o...?&lt;br /&gt;- Pedro. sou o Pedro. tu és o Zé, não é?&lt;br /&gt;- não, deves estar a confundir-me.&lt;br /&gt;- ...?&lt;br /&gt;- estou a brincar.&lt;br /&gt;- ahahah. pois, isto está complicado, muito álcool, muito álcool. ahahah.&lt;br /&gt;ele era o Pedro, irmão do Miguel, o liberal e o absolutista. nunca entendi como tantos gays passam despercebidos para a maioria das pessoas, talvez porque não passam um jantar a tentar fodê-los com os olhos do outro lado da mesa, sou eu sempre o feliz contemplado. o Miguel é um gajo do atelier com quem nunca falo, excepto daquela vez que, chegado mais cedo da hora de almoço, o apanhei a masturbar-se na casa de banho, que não tem fechadura, e passado 20 minutos veio ter comigo todo vermelho "olha, isto fica entre nós, ok?" - "não, isso fica só para ti, mesmo". o seu irmão, o Pedro, tem um ar mais sociável e mais prevenido, mas é isto, engraçou comigo do outro lado da mesa e foi o resto da noite a patinar num beco que não tem saída, muito menos entrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- beeem, isto está mesmo cheio, parece o Santo António.&lt;br /&gt;- pois é.&lt;br /&gt;- tu vieste para o Santo António este ano com o meu irmão?&lt;br /&gt;- não, vim com uns amigos.&lt;br /&gt;- ah pois, é que ele também veio, podiam ter vindo juntos.&lt;br /&gt;- não me dou com o teu irmão.&lt;br /&gt;- nem eu.&lt;br /&gt;- alguém se dá?&lt;br /&gt;- a namorada dele, essa vaca. ahaha.&lt;br /&gt;- ele tem namorada? muito me surpreende. pensei que não gostasse de seres humanos.&lt;br /&gt;- ela não é um ser humano, é uma vaca! odeia-me. homofóbica de merda.&lt;br /&gt;ri-me condescendentemente, para ele entender que não era preciso usar subterfúgios para me transmitir uma ideia óbvia. dei por mim a exagerar os meus maneirismos de macho latino, quase escarrei para o chão, para traçar um limite no engate. ele riu-se ainda mais. alguma barreira na conversa se quebrou com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aproximou-se daí a pouco a Bli, a geek do atelier, uma miúda possante, que quase parece gorda por causa das mamas, cada uma do tamanho da minha cabeça. é gira, mas sempre me pareceu uma universitária recém-urbana, alguém que junta o ingénuo e o devasso.&lt;br /&gt;- o que é que os meus meninos estão aqui a segredar? seus malandros!&lt;br /&gt;eu não estava a segredar com o Pedro e não queria de todo passar essa ideia numa noite de copos tão sexualmente promissora, daí que a pressa em esclarecê-lo me tenha retirado momentaneamente a capacidade de filtrar o pensamento.&lt;br /&gt;- estávamos a falar das tuas mamas.&lt;br /&gt;- AAH! seu porco, tu é que deves ter puxado a conversa, porque o meu Pedrinho está interessado em bolinhas mais pequenas. ahahah!&lt;br /&gt;- olha-me esta! eu gosto é de bolinhas grandes! ahaha!&lt;br /&gt;ah, ah, ah, estavam os dois muito divertidos e a Bli tinha notoriamente maior capacidade de encaixe do que eu pensei, isso tornou-a interessante e a cada golo das minhas sucessivas imperiais mais me parecia uma deusa da fertilidade, voluptuosa, radiosa, inspiradora. falámos todos bastante tempo acerca da sexualidade de cada um, tema que me interessa muito depois do primeiro trago de álcool. afinal o Pedro até tinha tido várias namoradas antes de entender o que queria realmente e a Bli não era propriamente um rato de biblioteca, mas antes uma rata muito bem sucedida no amor de ocasião, tinham ambos a libido de um presidiário ou dois, por isso a conversa foi conduzida, controlada, talhada por mim. conduzi-a descontroladamente no sentido de acabarmos os três em casa dele, "um t1 em Alfama com um pátio reservadíssimo onde instalei uma banheira de grupo para as noites em que faço mais do que um amigo" (sic), ela morava numa "vivenda em Caneças", a escolha foi simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não sei porque me coloco nestas situações, claramente a alma do acontecimento era eu, a fazer a ponte entre os dois, e atirei-me, mesmo sendo óbvio que qualquer um deles queria apenas foder a ponte. no fundo, como sempre, queria ver até onde conseguia levar aquilo, algo novo, com a bênção de algo já visto, mesmo sem ter idealizado uma forma airosa de me pôr a arder caso tudo deixasse de ter piada ou me passasse a bebida. em linguagem futebolística chama-se a isto "correr mais que a bola". a verdade é que o Pedro era um gajo fixe, já me tinha surpreendido com algumas importantes definições de cultura e personalidade que me eram próximas, a ter alguma experiência com outro gajo, já tinha pensado nisto, que fosse alguém assim. tinha também feito uma piada qualquer com "Lamb Crica" quando mencionámos o jantar no restaurante indiano, e assumi imbecilmente que aquilo fosse para me descansar em caso de sexo a três. e descansei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o álcool já ia alto, fomos todos para casa dele, não sem antes passarmos por uma rua escura para mijar. eu e o Pedro trazíamos bebidas na mão, assim, a Bli segurou nas nossas pilas, uma de cada lado, gozou com o tamanho da minha, ríamos todos às gargalhadas, sacudiu-as embora o Pedro não tivesse bem acabado de mijar, lançando pingos quentes sobre todos nós e talvez nas bebidas e rimo-nos ainda mais. fiz uma piada com o facto de não conseguir mijar com alguém atrás de mim, mas conseguir fazê-lo com alguém a segurar-me na pila.&lt;br /&gt;- podes passar a pedi-lo aos teus companheiros de urinol.&lt;br /&gt;rimos muito. no táxi para Alfama fui eu no meio, comecei a apalpar uma mama da Bli com as duas mãos, ela agarrou-me numa delas e levou-a ao colo do Pedro. não a mexi, congelado, e tentei antes concentrar-me no tamanho daquela maravilha da engenharia da natureza que era uma mama da Bli. grande e rija, como a minha pila ficou quando o Pedro a agarrou. isto porque inicialmente pensei que era a mão da Bli. o taxista parou o carro de repente e disse que na presença de Jesus não admitia deboche, muito menos deboche homem-sexual. claro, para segurar um crucifixo gigante, era necessário um retrovisor do tamanho da minha televisão, embora Jesus não se tivesse manifestado enquanto eu ainda estava sequiosamente a sondar a Bli por leite materno. acalmámos ou disfarçámos melhor, chegámos a casa do Pedro já eu tinha as cuecas da Bli nos dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi tudo muito rápido até eu estar deitado no sofá, com a Bli e o Pedro a desapertar-me as calças enquanto se beijavam. o Pedro mais uma vez agarrou-me qualquer coisa e eu tentei ganhar tempo, tinha que ir mijar uma última vez. na casa de banho tive uma tontura com o papel de parede, tinha umas cores berrantes em cornocópias, parecia estar a mexer ou a gritar comigo, deu-me uma náusea e ajoelhei-me na sanita a vomitar. o frio da sanita foi o abraço possível naquele momento, e assim fiquei algum tempo, até que adormeci no tapete felpudo azul-cueca que destoava naquela casa de banho decorada como a sala de estar da minha tia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acordei sem noção do tempo que estive deitado, não me pareceu muito. levantei-me, lavei a boca com um bocado de pasta de dentes bochechada, e voltei a sentir-me acordado, revigorado. ainda estava a segurar nas cuecas azuis da Bli, lembrei-me das mamas dela, que estariam elas a fazer? não entendo o que se passa quando bebo e durmo um bocado, acordo sempre com uma erecção pétrea, difícil de desfazer devido a alguma insensibilidade ebriosa. não obstante, a testosterona substitui-me o sangue e obriga-me a procurar desfazê-la, animalmente, tudo me excita, o Pedro já me excitava, talvez ele como homem de festas que constantemente acabam em sexo soubesse melhor como lidar com este problema banal, talvez me maravilhasse com uma técnica apuradíssima e uma reveladora omnisciência do meu caminho para o orgasmo, a pila dele seria maior que a minha? finalmente imaginava um verdadeiro threesome, em que participaria por inteiro, com a substancial Bli a suplicar ser devorada e usada e suada pelos dois. queria beijá-la à frente dele, queria que ele a beijasse, como a beijava contra-senso há bocado na sala. receei que a espera lhes tivesse refreado o ímpeto e estivessem a dormir, teria que os despertar outra vez, sentia-me capaz disso. a sala estava às escuras, vinha apenas um som maquinal de um corredor, um som bastante claro, segui-o e acabei à porta de um quarto com a porta mal encostada. não entrei, lá dentro vi os dois corpos à luz da lua de Lisboa, num movimento continuo, ela estava por cima, perfeita, ondulante, carnal, em vias de descontrolo, ele estava por baixo, algo atlético, com a cara que eu gostaria de fazer durante o sexo, muito cinematográfica. as mãos firmes na anca dela marcavam a cadência, mas permitiam veleidades. a anca dela obedecia, as mãos no peito dele com uma minúcia espásmica, de vez em quando arranhavam-lhe o corpo e aceleravam-lhe o movimento quando a timidez lhe parecia ignóbil face àquele gozo. fiquei ali a observar, estático, desprezado, excitado além do ponto que a minha pele parecia aguentar. o Pedro viu-me, fitou-me uns segundos e ignorou-me, a Bli veio-se, na perdição e no choro próprios de alguém que acaba de descobrir a vida, eu fui-me, para casa, a pé, sem a certeza de qual deles me estava a dobrar a alma de ciúme e euforia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-6156419503535585414?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/6156419503535585414/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=6156419503535585414&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/6156419503535585414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/6156419503535585414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2011/08/quero-foder-contigo.html' title='quero foder contigo'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-6899718063254857253</id><published>2011-07-01T01:25:00.006+01:00</published><updated>2011-07-01T01:52:14.788+01:00</updated><title type='text'>roupa usada</title><content type='html'>vestir as cuecas do dia anterior não me faz tanta impressão como calçar as meias usadas e húmidas. sempre que acordo numa casa que não é a minha vivo esse prazer desconfortável de procurar a roupa amarrotada, as meias enroladas num casulo, vestir a t-shirt que parece um trapo de lavar a casa de banho. por vezes calço os ténis sem meias e guardo-as nos bolsos, mais tarde encontro-as enquanto procuro a carteira num café. nem sempre dá para tomar banho, quando dá é menos mau. mas mesmo que não tome, consigo tirar prazer em sair à rua de cabelo seboso porque fica mais domesticável e sinto que toda a gente percebe que passei a noite em casa de uma miúda gira. o verdadeiro prazer advém, é óbvio, dessa infantil sensação de vitória por ter tido sexo, de ter conhecido uma rapariga nova, a sua casa, a sua decoração, o seu corpo, o seu orgasmo, a sua casa de banho, e eventualmente o seu frigorífico. a intimidade é a minha perdição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;gosto quando têm casa própria, ser convidado para esse ninho de forma imprevista é uma parte importante da tesão da caça. isto deve estar relacionado com outro dado, gosto que tomem a iniciativa mas de forma envergonhada e até trapalhona, mostra coragem apesar da consciência de certas limitações e ridículos e uma capacidade de auto-crítica jocosa. merda, como eu adoro gajas patetas. convidar um rapaz para sua casa, entre justificações pelo dálmata de loiça na entrada e a lassitude de umas cuecas usadas no chão da casa de banho, é em tudo uma patetice deliciosa e excitante. aquela casa não é um ninho de amor, é simplesmente a casa de uma rapariga solteira que hoje, inadvertidamente, se enrolou com um gajo e não teve tempo de arrumar as vergonhas. na verdade, o verdadeiro ridículo dá-se quando tentam esconder alguma vergonha e decidem mostrar coisas que preferia não ver, como livros de autores merdosos, como umas cuecas especiais para noites de núpcias. isto pode tornar-se bastante confrangedor, porque demonstra orgulho na bimbalhice ou pior, a tentativa de impressionar com um ideal de expectativas muito reles. deixa-me sempre a libido em baixo, passo a metáfora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tenho amigos que preferem one night stands em sua própria casa, isso tem qualquer coisa de primário, imagino-os a levá-las pelos cabelos, mas entendo a matéria territorial. mas a minha casa também não é nenhum ninho de amor, é só a casa de um gajo solteiro. só trago aqui alguém em ultíssimo recurso. se a quisesse arrumar não conseguiria, a minha visão filtra a desarrumação e deixaria certamente um rolo de papel higiénico ao lado da televisão, uma caixa de pizza debaixo de uns papéis ou uma garrafa de whiskey com beatas no braço do sofá. além disso a minha decoração não vai além de uma fotografia minha e da Sofia que me tenho esquecido de tirar ao longo destes 3 anos de um móvel da sala. já tive que dizer que era minha irmã, mas duvido que aquela mão na mama possa ser interpretado de forma fraternal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não quero namoradas, já tive, já entendi do que se trata e para onde inevitavelmente caminha. quero ser solteiro e conhecer as mulheres que me apetecer, sem complicações. não entendo de que se serve estragar a memória de uma pessoa que se adora prolongando uma relação até à total insanidade ou falta de bom senso que imperam no final de todas as relações. acabam sempre de forma apoteótica e massacrante, mesmo que apenas para um dos implicados, mesmo que silenciosamente. agora quero amizades íntimas, beber um copo com alguém disposto a deixar-se levar, tomar duche com uma miúda que conheço há dois dias, experimentar a confiança em brincadeiras cada vez mais exageradas, os espíritos estão muito mais abertos nessa altura, aceita-se tudo. como é que eu conseguiria, com a Sofia, fazer uma pizza fight a dois no Casanova até ser expulso, como na semana passada? ou foder numa casa de banho para crianças no Oceanário? aliás, tenho que dar a mão à palmatória, como é que a Sofia podia fazer isso comigo, porque fui eu quem sempre se preocupou com as aparências. e com a moralidade, e com o desperdício de comida. mas ela exagerava na brincadeira e depois queixava-se de eu não a acompanhar nas suas infantilidades. com a Sofia tudo tinha que ser um momento kodak. espero que o tal produtor tenha andamento para as brincadeirinhas dela. talvez tenha, pessoal da televisão anda sempre cocainado e hiper-divertido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enfim, não queria falar outra vez na Sofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acho que estes tempos não são para se viver em casal. tempos de crise e oportunidade. o mundo está ai, todo, a vertigem da sobrevivência liberta instinto, as experiências são profundas e vívidas. os casais ficam por casa, no sofá em frente à televisão, cada um deitado para seu lado, ela põe-lhe os pés no colo e ele faz-lhe massagens. deprimente. o amor vai-se escoando desse saco que é "a relação" e no fim fica apenas um mosto, a massa de ressentimentos, um kit para usar em discussões, misturado com dependência e falta de confiança, que o amor levou. mas atenção, também não estou aqui fazer a apologia do solteiro ressabiado. estou sozinho porque quero. posso sair todas as noites e faço-o, e todas as noites posso acabar na casa de alguém diferente. se tiver que vir dormir sozinho à minha casa de solteiro, que tresanda a relação falhada, que se foda. é temporário. amanhã é outro dia e outra noite, outra oportunidade. e pelo menos aqui neste ninho pode beber-se em silêncio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-6899718063254857253?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/6899718063254857253/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=6899718063254857253&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/6899718063254857253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/6899718063254857253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2011/07/roupa-usada.html' title='roupa usada'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-6378911924936422071</id><published>2011-05-06T10:46:00.007+01:00</published><updated>2011-05-16T21:54:15.966+01:00</updated><title type='text'>o que eu tinha a perder</title><content type='html'>há cerca de 15 anos, eu estava na estação de comboios de Caxias, à espera do primeiro comboio da manhã (noite). deitado num banco, no banco seguinte estava o meu amigo Pastel. vínhamos de uma festa estranha, a aniversariante tinha alugado um restaurante que era na prática uma casa enorme sobre uma encosta da marginal. grande terraço, grande vista de mar, mas era noite sem lua, não se via um cu. dinheiro adolescentemente gasto. mas era giro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tínhamos chegado já no fim da festa. vínhamos de outra festa. prometi à aniversariante que passaria no fim da noite no restaurante. só a conhecíamos a ela e uma amiga, que nos recebeu à porta. a Fafá. "AAAIIII ele chegou!! espera aí Zé, não sei se é boa ideia ires ali agora. é melhor eu ir lá primeiro, espera aqui!" e do fundo dos meus 18 anos eu esperei. eu e o Pastel. "já deve estar agarrada a outro gajo" disse-me ele. pois deve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a Mia apareceu, tapou com as duas mãos a cara, adorável, e disse "eu não acredito! isto é que são horas?" e deu-me um beijo na boca como nos filmes. estava boa, gira, bêbada. de vestido curto preto, colans, bêbada. depois do beijo, a Fátima aproximou-se e disse baixo "Mia, olha lá o Bebé, está todo ciumento". o ex-namorado. aparentemente tinha direito ao ciúme, porque a Mia disse-me "desculpa, mas hoje é complicado, devias ter aparecido mais cedo". disse-me para esperar um bocado e foi lá dentro. a ideia de haver um gajo que sabia quem eu era, sabia que eu estava ali e tinha ciúmes da minha presença, era agradável, é que eu não sabia absolutamente nada acerca dele. eu e o Pastel ficámos cá fora a conhecer o sítio, tinha uns jardins, uns casais protegidos pela falta de lua, umas miúdas a vomitar numa varanda, uns putos a travar a respiração "hey, querem?" ok, jafumega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o Pastel perguntou-me se eu sabia do outro gajo. sim, sabia da possibilidade. "e queres esperar? ou vamos embora?" não sei, vou lá ver como está aquilo. já tinham passado uns 15 minutos, que na minha percepção do tempo encharcada em álcool equivalem a 45. fui. estava um grupo grande sentado num sofá enorme e a Mia estava ao colo do Bebé aos beijos e a fazer-lhe festas no cabelo. provavelmente esqueceu-se de mim, pensei, abrindo para mim próprio a possibilidade de ir lá dizer olá. os 18 anos podem ser por si só uma situação muito ridícula. o meu 'par ou ímpar' interno safou-me à humilhação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no caminho para a estação ia completamente colérico. aquela vaca! não se faz! "pois não" pois não Pastel! vim cá fazer figura de otário, que merda é esta? nunca mais lhe falo! mas no fundo só estava frustrado por ter decidido vir embora. talvez se lá ficasse mais meia hora ele se tivesse ido embora e eu ficasse com ela. e sexo! e tudo. agora ao chegar à estação já não tinha a mínima esperança de voltar a vê-la. aquele comboio ia levar-me dali para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deitado no banco, disse então ao Pastel que ia voltar para lá. "estás totó? que ridículo, vais lá fazer o quê?" não sei, vou fumar outra com aqueles putos, vou fazer uma proposta a um daqueles casais do jardim, ou vou aproveitar-me daquela miúda que estava a vomitar. entretanto pode ser que a Mia se arrependa, ela insistiu imenso para eu lá ir ter, no mínimo devia ter-me despedido. "foda-se, que camelice. ela é assim tão boa na cama?" não sei, nunca estive na cama com ela. a última vez que saímos demos uns melos num sofá de uma disco do Cais do Sodré, e foi só isso. mas acho que estou apaixonado! "epá... tu deves ser é parvo. não! eu é que devo ser parvo para vir para aqui contigo" não sejas assim, já fiz o mesmo por ti, com aquela Milene do Casal Ventoso. ele andava doido com ela. cheguei a ter que esperar por eles de noite num jardim de prostituição de agarrados. "ela não era do Casal Ventoso, era de Campo de Ourique". whatever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a minha cabeça funcionava então numa equação simples de custo-benefício, mas do lado do custo estava quase sempre o meu amor próprio, já que dinheiro era o que havia disponível para esse dia e o desgaste físico aos 18 anos é residual, sentimo-lo como se fosse crónico e vivemos com ele, enquanto houver fígado. às expensas desse amor próprio voltei a ver a Mia e valeu a pena. na noção adolescente de 'valer a pena'. existe uma capacidade de encaixe completamente elástica num adolescente, que depende sobretudo da igual elasticidade de aceitação dos nossos pares, que por compaixão nos esquecem as fraquezas com facilidade. não acho que os adolescentes sejam assim tão cruéis. sobretudo tendo em conta a quantidade de situações humilhantes em que nos colocamos constantemente. sobretudo comparando com os trintões e a sua ilusão de que já são adultos respeitáveis e selectivos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-6378911924936422071?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/6378911924936422071/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=6378911924936422071&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/6378911924936422071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/6378911924936422071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2011/05/que-tenho-eu-perder.html' title='o que eu tinha a perder'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-6703694421014886938</id><published>2011-04-14T01:00:00.003+01:00</published><updated>2011-04-15T16:51:10.885+01:00</updated><title type='text'>um fim infinito</title><content type='html'>a Rute. amiga dos tempos das bebedeiras com verde tinto, é uma excelente pessoa, gostei imenso dos primeiros tempos em que a conheci, saíamos muito, combinávamos coisas durante o dia, coisa rara nessa época. não me lembro de ter tido uma única discussão com ela nesses tempos, embora achasse que até que isso acontecesse não podíamos propriamente considerar amizade aquilo que tínhamos. até posso dizer que havia um flirt constante, pelo menos da minha parte, e que se não o pensasse correspondido não teria prosseguido com essa relação de forma tão constante. é essa a base das minhas relações humanas, é fácil admiti-lo, embora triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tenho uma imagem clara desses tempos, de uma felicidade só atingível pelo distanciamento temporal dos acontecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje em dia liga-me diariamente. sim, somos amigos, já discutimos várias vezes. fica a falar até ter que ir buscar um copo de água para humedecer a garganta, eu fico a ouvir ou a pensar na fome em África, até ela me fazer uma pergunta qualquer e tenho invariavelmente que pedir-lhe para repetir. a conversa gira quase sempre à volta da minha vida, o que é estranho, tendo em conta que eu praticamente só oiço. acaba sempre, sempre, com ela a perguntar-me se ando bem, que nunca digo nada, se preciso de falar, se precisares diz. ok, digo eu, eu digo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"então e aquela Rita? sempre foste sair com ela na 4a feira?" fui. "ah e então? correu bem?" sim, acho que sim. "então?!" então o quê? "conta, nunca contas nada, quero saber." o que é que queres saber? sim, houve sexo, contentinha? "aaaahh, eu sabia! e foi bom?" foi normal, foi sexo, não nos conhecemos bem, contou mais o calor que o savoir faire. "ah, claro, agora com o tempo isso melhora sempre! vais ver." não, acho que não vai haver outras vezes. "então??" foi bom, mas não temos grande conversa, ela é dentista. "pois, estou a ver, mas não te preocupes, parte para outra, o que não te falta são interessadas" não estou preocupado. "e andas bem? às vezes tenho medo que te sintas sozinho" ando bem, acho que já tinhas perguntado. "ok, já sabes, se precisares de falar..." ok Rute.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e tu Rute? andas bem? lembro-me que não ficaste muito bem depois da última discussão que tivemos, lembro-me de partires um prato contra um espelho e este estilhaçar e um pedaço raspar-te a cara o suficiente para deixar um risco vermelho para sempre, lembro-me do teu choro convulso e do meu desespero para te acalmar sem poder simplesmente abandonar essa casa com medo de que fizesses uma estupidez maior. andas bem agora? ao fim de duas semanas do espaço infinito que te pedi voltaste a ligar-me como se tivéssemos acabado de nos conhecer ou pelo contrário, como se fôssemos amigos desde sempre, mas aquilo que eu consigo fingir à tua frente não consigo fingir na minha cabeça, e por isso todas as conversas contigo me lembram o alzeimer da minha avó. já estive louco por ti, se já não estou é porque houve um luto. morreu essa pessoa, tu és outra, que eu conheço mal e que me esforço por lembrar que conheço bem. não sei porque insistimos nisto, mas só tenho a agradecer-te que o façamos pelo telefone, porque quando te vejo ao vivo, essa cicatriz na cara transporta-me para o climax desse fim abominável e sinto arrepios de nojo a chicotear-me a consciência, apetece-me apagar com um gesto brusco essa memória gravada na tua cara, na verdade apetece-me apagar a tua cara inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e tu Rute? conta lá. "está tudo bem, vou agora fazer um curso de fotografia" boa, lembro-me que tu tinhas muito jeito para tirar fotografias aos pés. "pois era, foi aquele Renato que te falei que me convidou, ele anda lá" ah sim, o Renato "ele dá um bocado em cima de mim, está sempre a ligar, mas acho que também não temos muito a ver. como tu e a dentista" pois, mas não te fazia mal estares com outras pessoas "sim, mas não ando à procura, estou bem comigo mesma. a conhecer-me a mim própria, estava mesmo a precisar de estar sozinha" ok "com tempo para estar com os meus amigos, tu incluído" ok.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-6703694421014886938?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/6703694421014886938/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=6703694421014886938&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/6703694421014886938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/6703694421014886938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2011/04/um-fim-infinito.html' title='um fim infinito'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-77005024688139185</id><published>2011-03-15T11:26:00.003Z</published><updated>2011-03-15T11:32:45.901Z</updated><title type='text'>branco frigorífico</title><content type='html'>chegou finalmente a casa, pousou as chaves na mesa do hall, despiu o casaco, pendurou-o, consigo vê-la daqui deste sofá. ela nem procura ver se eu estou na sala a olhar para ela, como costuma fazer. ignora-me completamente. passa na sala, diz-me olá ou diz olá para o ar, segue para a casa de banho. o tempo que lá demora parece-me uma eternidade, oiço o autoclismo, a torneira várias vezes, a porta do armário, calculo que saia já com a camisa de dormir. nem vai comer primeiro? e isto parece a torneira do bidé. porquê o bidé assim que chega a casa? demora mais um bocado, irrita-me esta demora, está a fazer de propósito. não entendo, chega a casa a esta hora, não avisa antes, não dá explicações depois. mas eu estava à espera disto, não estranho e não a vou chatear com uma coisa tão secundária. estamos há semanas nisto, hoje está pior. puxa outra vez o autoclismo. silêncio agora. então? oiço a porta abrir, quando chegar à sala não vou olhar para ela. vou esperar que ela fale comigo, me faça perguntas ou me dê alguma explicação. se me mantiver calado certamente ela vai precisar de quebrar o gelo, vai ficar irritada com o meu silêncio, provar do seu próprio remédio. este tratamento de facto aumenta os níveis de adrenalina de um morto. oiço outra porta a abrir, merda! foi para o quarto! não oiço nada daqui. o que é que ela está a fazer? que raiva. oiço uns murmúrios inidentificáveis. janela? telefone? televisão? temos televisão no quarto? não. deve ser telefone. a esta hora? penso em ir lá mas estou psicologicamente exausto e mais a raiva com o seu orgulho que não me deixam levantar para perceber o que se passa. prefiro evitar o ridículo de me aproximar e ela perceber que estou a tentar ouvi-la. tento distrair-me, esquecer o tempo a passar como um caracol, ver televisão, que é esta merda? pingo doce? que medo. está a sair, abre a porta do quarto, é agora? é agora. "estiveste ao telefone?" não consegui evitar, saltou-me do estômago. "não" "não? pareceu-me mesmo ter-te ouvido falar". não me respondeu. também não era bem uma pergunta, não posso censurá-la. não vem de camisa de dormir, vestiu uma t-shirt de alças branca e umas calças de fato de treino. apanhou o cabelo. descalça? está gira. puta. vai à cozinha, abre a porta do frigorífico e oiço mexer uns frascos e uns sacos. "eu fiz uma lasanha", grito-lhe "está no forno". "obrigada, não tenho fome" não tem fome mas está a preparar alguma coisa para comer. sempre pensei em fazer isto, estar em casa antes dela, fazer o jantar para mim e deixar o resto no forno à espera dela. sempre pensei e nunca o fiz, faço sempre uma sandes de pão de plástico, até hoje, e não foi este o resultado que imaginei. não vou lá dizer-lhe isso, é ridículo, uma humilhação completa e não é esse o âmago da questão. se é para falar fala-se do problema principal, do problema todo. está outra vez a demorar, já não consigo estar a ouvi-la sem a ver, começo a sentir umas desconfortáveis saudades dela, que estupidez. podia esquecer tudo por hoje, adiar a conversa para amanhã e passar esta noite enrolado a ela à frente da televisão e na cama, e quem sabe até pode haver sexo para fazer as pazes. não, ela nunca foi de sexo assim do nada. eu prevejo uma queca cá em casa com uma antecedência de vários dias, ultimamente semanas. além disso não posso ignorar o facto de ela ter chegado a esta hora sem qualquer justificação. vou à cozinha, preciso de vê-la. está sentada no chão ao pé do frigorífico a comer um iogurte. "então? no chão?" não me responde outra vez. "ouviste o que eu disse? o que é que se passa?" "ouvi, pensei que era uma pergunta retórica" sorri para mim, "e passa-se alguma coisa ou não?" "não, tudo normal" sorri formalmente e volta a olhar para baixo. eu posso ser estúpido mas não sou estúpido. ambos sabemos que se passa algo que é preciso esclarecer, mas já tentámos tantas vezes que ela diz já não aguentar mais esta conversa. e que merda é esta? sentada no chão da cozinha a ler um flyer da agência abreu? de alças e sem sutiã. nada típico. esta menina neat freak com esta máscara negligé. isto é para me provocar. e está a resultar. volta a saltar-me do fundo uma vontade de falar sem passar pelo cérebro. bom, "ouve, eu quero estar bem contigo, vamos esquecer isto. não estou chateado contigo, provavelmente tenho sido demasiado chato com coisas pouco importantes. se tenho sido chato é porque te adoro e às vezes preocupo-me demasiado. mas sei que és a mulher da minha vida e sabe-me bem dizer-te isto, de repente o resto é supérfluo" sorrio para ela, abandono-me, não pode correr mal se der parte fraca, mas se correr mal pelo menos fui honesto, é o que me vai na alma, não sei onde esta sensação estava escondida mas sabe mesmo bem dizê-la e pensá-la agora! é tão mais fácil ficar bem. é isto que é suposto acontecer entre dois seres humanos que decidiram juntar-se porque perceberam que se amam. é um cliché, mas é verdade. "ok zé, eu também não estou chateada. só tenho estado a pensar em muita coisa e preciso de mais algum tempo para perceber o que quero para mim e não tomar uma decisão irreflectida. quando eu conseguir falar falamos. ok?".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-77005024688139185?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/77005024688139185/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=77005024688139185&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/77005024688139185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/77005024688139185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2011/03/branco-frigorifico.html' title='branco frigorífico'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-7385291500235478113</id><published>2011-02-25T09:07:00.000Z</published><updated>2011-02-25T09:07:06.568Z</updated><title type='text'>o big bang</title><content type='html'>quem és, onde estás e o que fazes aqui, podias perguntar-me se soubesses dizer os érres. eu também não sei. mas devia saber responder-te. eu não sei o que eu próprio aqui faço. conheço-me apenas medianamente. nem sei bem onde estamos. algures na via láctea, esse último bairro classificável antes do desconhecido, mas a via láctea não é uma área facilmente localizável. enfim, talvez seja localizável, mas em relação a quê? esquece, nem sabes o que é o desconhecido. o nosso tamanho relativiza a nossa localização, estamos sempre em casa. não sabes a nossa espécie, não sabes que tens mãos mas seguras-te ao meu dedo como a uma bóia salva-vidas desde esse naufrágio inverso. não sabes que tens quem te ame, mas sorris-me quando me reconheces na miríade de familiares que te sorriem e te apalpam perversamente enquanto outros te pegam ao colo nas últimas três horas e meia, como num bacanal de pedófilos com etiqueta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o teu cérebro está pronto para tudo, virgem, podes vir a ser um astronauta ou um filho da puta. mas serás o meu filho da puta. é fácil dizê-lo porque ainda não o és nem perspectivo que venhas a ser, não pode ser difícil evitar que sejas alguém que desconheço. porque comunicamos. o teu cérebro não processa o conceito de linguagem, não me diferencias do meu gato em comunicação verbal. mas entendes quando te seguro ao colo se berras bestialmente que isso significa que é inevitável para mim fazê-lo. por mais que tudo o resto seja sugado para dentro desse hiato em que te fizeste. precisamente porque dependo agora mais de ti que tu de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-7385291500235478113?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/7385291500235478113/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=7385291500235478113&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/7385291500235478113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/7385291500235478113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2011/02/o-big-bang_25.html' title='o big bang'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-5369415369449873943</id><published>2011-02-18T18:37:00.003Z</published><updated>2011-03-03T19:42:49.507Z</updated><title type='text'>irmã, Lúcia</title><content type='html'>cheguei à esquina da rua do J e dei-lhe um toque para o telemóvel para descer. fiquei na D. Carlos, não gosto de ir até à porta dele, tenho sempre medo de encontrar a Lúcia, talvez porque a encontro sempre que me aproximo dali. tive há uns meses um fling com ela e desde que tivemos sexo perdi o interesse, para variar. o J apareceu e pela décima vez perguntou-me "porque é que não foste até ali? fui à janela e não te vi."&lt;br /&gt;- porque não quero encontrar a Lúcia, tenho que explicar sempre que aqui venho?&lt;br /&gt;- epá, ainda com essa merda. tenho-a visto com um amigo novo, já deve ter cagado para ti. vamos onde?&lt;br /&gt;- tens visto? mas a entrar para casa dela?&lt;br /&gt;- vi-os uma vez à porta do prédio, não sei se iam a sair ou a entrar. ou se estavam só ali. eu ia a sair. onde é que vamos?&lt;br /&gt;- vamos ali ao pontão. mas viste-os mais que uma vez?&lt;br /&gt;- caga lá na miúda, não andavas a evitá-la? vamos ao pontão fazer o quê? fumar uma? não tenho nada. queres passar no russo?&lt;br /&gt;- não, deixei de fumar. brocas também. vamos só ali passear.&lt;br /&gt;- ah passear, tão querido, como dois marinheiros apaichenados?&lt;br /&gt;- não pá, queria falar contigo. mas diz-me lá viste-a mais que uma vez ou não?&lt;br /&gt;- sim, vi várias vezes, uma delas ele tinha a mão no rabo dela. por isso não há dúvidas que há ali palhaçada. e da grossa, se é isso que queres saber.&lt;br /&gt;- és mesmo besta. não.. quer dizer, sim, mas não é isso que me interessa, era só para saber se é uma cena séria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J parou e olhou-me de frente.&lt;br /&gt;- epá, explica lá isso bem, mas tu estás interessado na Lúcia ou não? pedi-te para não te meteres com ela, tinhas que fazer merda, e depois cagaste nela como é teu apanágio, agora não deixas a miúda continuar a vida dela?&lt;br /&gt;- estás armado em vizinho galinha? tenho simplesmente um interesse especial por raparigas com quem tive uma proximidade deste género. saber se estão bem, curiosidades. nada mais.&lt;br /&gt;- está bem, deve ser isso... faz o que quiseres, chapinha no teu próprio esterco. mas tenta não sujar toda a gente à tua volta. e o que é que querias falar comigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;andámos mais um bocado, atravessámos a nova ponte pedonal sobre a 24 de Julho, a que sai em frente ao novo pontão que acaba num canteiro gigante dentro do rio, com árvores raquíticas que quando crescerem hão-de ficar muito bonitas, cheias de salitre e dar flores roxas que sujarão a calçada portuguesa com que algum génio se lembrou de calcetar a margem. vai dar uma óptima sopa de pedra quando vierem as marés vivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- acho que tenho cancro no testículo.&lt;br /&gt;- o quê? no testículo?? só tens um?!&lt;br /&gt;- pára lá de gozar, estou preocupado com isto. está um maior que o outro.&lt;br /&gt;- isso pode ser cancro ou roubo. está um a roubar o outro.&lt;br /&gt;- foda-se! para a próxima vou falar com o Manel. estou todo fodido com isto e tu estás a dar baile.&lt;br /&gt;- não, só acho que andas hipocondríaco. devias era ir ver isso. eu não te vou apalpar os testículos, podes ter a certeza.&lt;br /&gt;- achas que vá a um médico?&lt;br /&gt;- não, a um veterinário.&lt;br /&gt;- merda pá, estás impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estava impossível, estranhamente sarcástico, sem o mínimo arrependimento de me estar a irritar, aliás, parecia estar só a pensar como me irritar mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- está tudo bem? - perguntei.&lt;br /&gt;- sim. está tudo óptimo. pelo menos não tenho cancro.&lt;br /&gt;.........&lt;br /&gt;- tu gostas da Lúcia?&lt;br /&gt;- eu, estás parvo? conheço-a desde pitinha.&lt;br /&gt;- e então?&lt;br /&gt;- e então nada, é tipo irmã, que estupidez de conversa é essa?&lt;br /&gt;.........&lt;br /&gt;- ok, então desculpa lá, eu é que ando preocupado com isto e ando um bocado irascível.&lt;br /&gt;- também me parece. é porque deixaste de fumar? e que merda é essa, deixaste de fumar? tu nunca fumaste a sério.&lt;br /&gt;- lá estás tu, que merda de conversa, tu é que és o grande fumador de Lisboa. os outros são amadores. deixei de fumar porque posso ter cancro no testículo.&lt;br /&gt;- e tu fumas com os testículos? és claramente amador.&lt;br /&gt;- sei lá, essas merdas podem estar todas relacionadas. é como o IRS e a Seg. Social. um gajo não arrisca.&lt;br /&gt;- sabes o que é que está relacionado? doenças venéreas e não usar preservativo.&lt;br /&gt;- ??&lt;br /&gt;- sim, ela contou-me.&lt;br /&gt;- a Lúcia?!&lt;br /&gt;- claro.&lt;br /&gt;- mas porque é que ela anda a falar disso contigo?? andas a comê-la? palhaço, todo moralista para mim. ahah.&lt;br /&gt;- não ando a comê-la, não. há relações entre homens e mulheres sem ser a foder. estava preocupada com isso e veio perguntar-me pela tua vida "amorosa".&lt;br /&gt;- e o que é que disseste?&lt;br /&gt;- disse que não amavas ninguém. só fodias.&lt;br /&gt;- ahah, estás armado em Florbela Espanca? não me lembro desses sentimentos honestos quando andaste a perseguir a minha irmã até ela te enfiar lá no quarto e depois desapareceres durante um ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o J ficou envergonhado mas raivoso. fica sempre, quando jogo o trunfo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- então não me chateies mais com o teu colhão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-5369415369449873943?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/5369415369449873943/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=5369415369449873943&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/5369415369449873943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/5369415369449873943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2011/02/irma-lucia.html' title='irmã, Lúcia'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-795064974347960712</id><published>2011-02-15T17:22:00.001Z</published><updated>2011-02-15T17:33:03.627Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;object height="25" width="535"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Lx5yyQwnEDA&amp;amp;hl=pt_PT&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Lx5yyQwnEDA&amp;amp;hl=pt_PT&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="500" height="25"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-795064974347960712?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/795064974347960712/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=795064974347960712&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/795064974347960712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/795064974347960712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2011/02/blog-post.html' title=''/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-5201798182686250462</id><published>2010-12-10T01:58:00.003Z</published><updated>2011-01-06T17:44:13.109Z</updated><title type='text'>revolver</title><content type='html'>a capacidade de uma só pessoa despoletar uma revolução, se não foi já exaustivamente esmiuçada e publicada, foi pelo menos amplamente tentada, de forma patética ou de forma doutoral, com ou sem sucesso, desejada, individualmente ou colectivamente, em privado ou em público, metodicamente ou ansiosamente discutida, em tempos de apática paz ou em períodos de crise extrema ou de sufoco ditatorial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porquê a revolução? a revolução é mais do que um grito de desespero, é um atropelamento mortal em raiva, sem fuga, capaz de trazer a justiça social pela força bruta. o que é esta justiça, das suas perspectivas e contornos, a quem toca na prática e em detrimento de quem, se de uma minoria ou de uma maioria, é mais do que aquilo a que me consigo propor divagar em cima neste parapeito vertigo sobre a avenida da Liberdade, sem sapatos. na teoria, a revolução representa a força do desespero de uma maioria desfavorecida e no seu limite da consciência. na prática, representa a capacidade de condução de uma elite esclarecida sobre uma massa acéfala desesperada, que apesar da condição de acéfala, sabe bem o que não quer, mas não para onde a conduzem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porque não uma manifestação? uma manifestação é a forma mais rastejante de um ser humano se manifestar. sob uma baliza policial, é o rinoceronte de D Manuel, é uma gay parade sem pride, é marcada segundo a conveniência das partes envolvidas, dos manifestantes, das forças da ordem, do município, do trânsito, dos pacificadores, dos ambientalistas, das necessidades, dos alvos da manifestação, dos pombos, da puta da mãe deles. é a antítese do propósito da manifestação porque não causa qualquer incómodo, porque se torna invisível. para passar uma mensagem, é preferível pôr um anúncio num jornal. isto não é uma hipérbole, é mesmo preferível, porque notícias de manifestações na TV, ninguém V. a mente diverge do ecrã para o cheiro a bife que vem da cozinha. publicidade no jornal todos papam, é uma questão de marketing. o sentido jurídico da palavra manifestação não é o mesmo que o sentido linguístico, a verdadeira manifestação deve ser feita de forma espontânea, convocada informalmente, só porque é proibido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a revolução pode assim ser uma simples manifestação espontânea, pacífica, um ajuntamento de centenas, de milhares de pessoas, que, desde que haja fé e persistência suficientes, mais tarde ou mais cedo resultará em confrontos físicos. ela é ilegal, não foi convocada, a autoridade vê-se no direito de usar o cacete. assim o manifestante vê-se no direito de se defender. e se as pessoas não voltarem para casa ao fim do dia? e se a manifestação for contínua? e se o povo sabendo que tem razão tiver tomatinhos para não arredar pé? e se não desistir, se estiver disposto a ir até às últimas consequências? a morte? e se eu não sair daqui de cima até que voltes a esta varanda e fales comigo decentemente e me digas que afinal estavas errada e eu estava certo? e se não houver limite na cabeça das pessoas que estabeleça o bom senso e a guerra civil rebentar por causa de merdinhas destas? por coisas evitáveis logo no início das conversas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;revolução de um só homem. podem ser cem, mas basta um que incendeie outros noventa e nove, um rastilho, e que depois movam uma multidão unida por um sufoco. o sufoco de não querer viver sob as duras regras, de estratégia dúbia, de uma elite que sucessivamente arrasta a maioria para um abismo que estica à medida que nele se cai, e que sugere numa base diária novas regras para cingir a voz dessa maioria. quando o poder da mole humana que constitui uma comunidade, uma nação, um continente, um planeta, se resume ao voto em entidades genéricas com bandeiras abstractas e discursos tão abrangentes e pouco objectivos que tendem para zero, que não representam nada de prático, nada daquilo que na verdade podem ou querem fazer, quando a população entende que aqueles que elege não têm poderes, nem em teoria nem de facto, para os governar, nem sequer vontade, para além daquilo que lhes garanta nova posição, quando se atinge o limite da compreensão para a obscenidade que nos toca cada vez mais dentro da própria roupa, basta um fósforo (amorfo?) que inflame um rastilho assaz consistente, que rapidamente se dará a explosão branqueadora. o rastilho é o que importa tocar, barris de pólvora há-os por todo o lado, sempre, à espera da menor atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*um dado curioso relativo ao controlo de um barril de pólvora: quando todos os preços aumentam, o dos canais de informação cai a pique. não que com isso a informação seja mais democrática, pelo contrário, mas poderia sem perigo algum sê-lo, que perdeu-se já a capacidade de a filtrar ou pior, de a sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enfim, não precisas de voltar, entendo agora que a minha ansiedade não se deve ao facto de me teres deixado aqui com esta chuva, com os faróis dos carros a encadear-me quando descem a avenida. deve-se antes à consciência que aflora nesta cacofonia de ideias de merda, de que sempre fui governado, por ti, por eles, por outros antes de ti, sempre me deixei governar ao bel-prazer de terceiros indiferentes, com umas quantas manifestações, organizadas, dentro dos limites da legalidade, algumas queixas azedas do estado das coisas, sem efeito. até que te fartaste e eles fartaram e fartarão dessas queixas e seguiste e seguiram e seguirão com a sua vida e eu continuo a necessitar de ser governado, com a agravante dos estragos que me deixaste na alma, cada vez com menor capacidade de aprender a governar-me sozinho, e o chão a aproximar-se.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-5201798182686250462?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/5201798182686250462/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=5201798182686250462&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/5201798182686250462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/5201798182686250462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2010/12/revolver.html' title='revolver'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-3468944426434132739</id><published>2010-11-04T17:20:00.004Z</published><updated>2011-02-15T17:30:26.524Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;object height="25" width="535"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Qd_dNHh3PSo&amp;amp;hl=pt_PT&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Qd_dNHh3PSo&amp;amp;hl=pt_PT&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="500" height="25"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-3468944426434132739?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/3468944426434132739/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=3468944426434132739&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/3468944426434132739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/3468944426434132739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2010/11/blog-post.html' title=''/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-1102160277268597133</id><published>2010-10-29T16:38:00.006+01:00</published><updated>2010-12-07T16:57:57.219Z</updated><title type='text'>nada mais assustador que a ignorância em acção</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;talvez esse medo justifique a minha inércia.&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;"Cidades como Cartago, Alexandria, Bizâncio, Constantinopla e Istambul apresentam-se como sendo as primeiras com importância a nível civilizacional que estreitaram esta relação com a água".&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;com os pêlos do pescoço eriçados penso "esta imbecil teve 18 com erros destes?" o desespero imobiliza-me, o apatia de não saber por onde pegar no resto da minha própria tese, para que é que me dou ao trabalho? há pessoas que fazem e dizem esta merda e safam-se. com 18 valores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;admiravelmente isso não me dá alento, por duas razões: primeiro porque deixo de ter um termo de comparação real. sim, alguém fez uma tese no mesmo tema que eu, mas resultou neste lixo, fê-la entre o pequeno almoço de cereais com fibra e a primeira evacuação do dia. em segundo lugar porque me apercebo de que apesar de ignorante na matéria em que diz ser mestre, ela tem bastante maior capacidade de trabalho que eu. isso nota-se pela excelente organização dos capítulos e dos sub-capítulos com números e letras e cores e sons e tudo. não tenho hipóteses quando comparado com pessoas que sabem trabalhar. no campo dos inúteis até sou uma pessoa medianamente interessante.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-1102160277268597133?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/1102160277268597133/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=1102160277268597133&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/1102160277268597133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/1102160277268597133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2010/10/nada-mais-assustador-que-ignorancia-em.html' title='nada mais assustador que a ignorância em acção'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-5924161932843767477</id><published>2010-10-08T12:56:00.004+01:00</published><updated>2010-12-07T16:58:15.442Z</updated><title type='text'>início constante de um nada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;do meu lado esquerdo amontoam-se ameijoas mortas. do meu lado direito estás tu a sorver avidamente umas cascas vazias e a sorrir como se finalmente tivesses atingido o topo da vida, e esse nirvana é apenas isso, sorver o molho de cascas de ameijoas com coentros e deitá-las num balde de plástico Olá que aqui serve de lixo. a minha imperial está a ter um orgasmo neste copo baço de gelo estriado por estradas brilhantes de gotas que descem até encontrar os meus dedos. a tua barriga dourada está de anúncio para mulheres de 30 anos, parece que engoliste uma bola de praia. o sal no meu cabelo faz-me comichão mas fica bonito, fica bem com a cor do meu peito salgado e dos meus calções de ganga que me imploras para pôr a lavar há umas semanas. a menina do balcão fez-me olhinhos. ah fez? é porque viu a minha barriga, já sabes, babamo-nos por papás. pois, foi o que eu pensei. pensei também que adoro o barulho das havaianas a bater no azulejo branco de uma tasca de aldeia à beira mar ao fim da tarde. adoro saber-te por perto sem te ver, numa terra desconhecida, afastar-me e voltar para ver-te falar com indígenas. adoro ver-te falar ao longe, chego a demorar o meu regresso para apreciar. fazes festas na barriga com a ponta dos dedos. trago um gelado para o henrique, ele vai adorar, o líquido amniótico a cheirar a Epá. oh, queria pastilha de morango, isto é o quê? não sei, cor de laranja, realmente é uma incógnita. parvo, eu não gosto de laranja, vai pedir de morango. e eu vou. o verão é um fim de tarde fervente, um início de noite combinada, uma paternidade emergente, uma nudez descomplexada. regula-me o humor para o modo de festa, de início constante de alguma coisa que nunca acaba, o sol é realmente o meu Epá com pastilha de laranja. desculpa, de morango. outra decisão complexa é a que horas ir ao supermercado que fecha às 20, quando o sol ainda brilha alto. esquece, vamos comer uma pizza a Pedralva para o iniciar nos prazeres do campo. a cerveja é sem álcool, mas as pernas com areia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-5924161932843767477?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/5924161932843767477/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=5924161932843767477&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/5924161932843767477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/5924161932843767477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2010/10/inicio-constante-de-um-nada.html' title='início constante de um nada'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-8846488955780153787</id><published>2010-09-11T02:11:00.001+01:00</published><updated>2010-09-11T02:12:06.360+01:00</updated><title type='text'>a segunda via</title><content type='html'>- às vezes queria um gajo burro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- mas quão burro? que não te entendesse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- acho que os gajos burros entendem instintivamente aquilo que as mulheres precisam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- depende das mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- nao. uma parte de qualquer mulher precisa de um gajo burro. burro e querido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- mas burro é querido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não. mas é manipulável ou disponível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- também estás a incluir as gajas burras nesse lote?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- as gajas burras precisam de gajos ainda mais burros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- isso não é passar um atestado de incompetência às mulheres?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não, é passar um atestado de incompetência aos gajos ditos inteligentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- acho que és apenas uma control freak feminista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- vai à merda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-8846488955780153787?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/8846488955780153787/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=8846488955780153787&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/8846488955780153787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/8846488955780153787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2010/09/segunda-via.html' title='a segunda via'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-7988354856416076223</id><published>2010-08-30T17:25:00.001+01:00</published><updated>2010-08-30T17:36:02.753+01:00</updated><title type='text'>entredentes interlude</title><content type='html'>esta bolacha que eu amo, incrusta de chocolate de leite,&lt;br /&gt;ficou-me entre os dentes incrusta, até quando te beijei-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;limpa-me com a língua os dentes, amorosamente te incumbo,&lt;br /&gt;tão zelosamente o fizeste, por fim me arrancaste o chumbo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"perdoa zé tanto zelo, zó estava zelar p'lo teu bem",&lt;br /&gt;por isso casei contigo, disposto ao fugaz fustigo,&lt;br /&gt;quisesse sozinho fazê-lo, teria que chamar minha mãe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-7988354856416076223?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/7988354856416076223/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=7988354856416076223&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/7988354856416076223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/7988354856416076223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2010/08/entredentes-interlude.html' title='entredentes interlude'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-4343360752513541183</id><published>2010-08-24T14:29:00.003+01:00</published><updated>2010-08-24T14:37:20.451+01:00</updated><title type='text'>a georgete que há em mim</title><content type='html'>este é o amanhecer de um homem a par com uma crise de semi-meia idade, um homem específico, chamemos-lhe joão a fim de preservar o seu anonimato, saído de uma paixão não consumada pouco importante, a primeira desde que vive sozinho e tem uma cama que não de solteiro como a do seu quarto de infância, de onde saiu tarde, como quase todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;levantou-se com mais sono do que tinha quando adormeceu, ainda a presença de um sonho desconfortavelmente solitário, a cara inchada, um sabor a chão do elevador na boca, dificultam-lhe a chegada à casa de banho onde consegue a custo mijar acertando a espaços na sanita. entra para o duche, lava a cabeça com champô anti-caspa e usa o mesmo champô para lavar o resto do corpo começando pelos sovacos. repara que com a espuma da cabeça vêm alguns cabelos soltos, os mesmos que ontem. sai do duche, pesa-se e tem o mesmo peso que ontem, lava os dentes e pensa que ainda não marcou a tal consulta do dentista para arranjar o tal dente cariado que lhe dói sempre depois das refeições. olha-se ao espelho e repara mais nas rugas hoje e no mau aspecto com que fica quando não faz a barba. por vezes a sensação é exactamente a contrária, hoje curiosamente não. olha-se nos olhos e diz entredentes "és uma merda.. não vales nada.. és feliz? não. porque é que te levantas sequer da cama? ninguém sente a tua falta se não saíres de casa hoje". depois sorri para si próprio e diz "estava a brincar!" desfaz o sorriso num voltar costas ao espelho e veste-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no patamar encontra a vizinha "bom dia vizinho!" "bom dia georgete!" a alegria dela a esta hora dá-lhe náuseas mas é simpática, claramente também se diminui a si própria ao espelho pela manhã, ou talvez não. talvez pelo contrário, se motive ilusoriamente acerca desta sua beleza cubista. "estás gira georgete, cortaste o cabelo?" "cortei! que raro, um homem a notar uma coisa dessas, só podias ser tu, hihi". a georgete está sempre a insinuar-se ao joão, mas pensa ele que ela provavelmente se insinua a qualquer mamífero macho. pena que o joão ache que deus lhe reservou uma vénus de milo com braços, uma apresentadora portuguesa com cérebro, e não consiga ver para além da gabardine de banalidade de que a georgete reveste o seu quotidiano para esconder uma alma carente de amor e volúpia. descem juntos despedem-se à porta do prédio, ela dá-lhe a mão e um sorriso numa ternura inundante que vai deixar o joão a pensar nela o resto do dia, ou até ao metro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de facto, que raio, nunca pensou assim na georgete, a miúda passa as noites e fins de semana sozinha em casa, como que para aproveitar a promoção telefónica da zon, ora aparecem umas amigas, ora aparece a georgete lá em casa dele a perguntar se lhe consegue abrir um ou outro frasco. aparentemente está sempre feliz e sorridente, será que tem um corpo bonito? sempre a pensar nas mulheres como objectos este joão. refreia esse pensamento, repreende-se pela quantidade de vezes que em certas situações se decidiu pela mais gira de entre duas amigas e levou uma tampa. foram todas. nunca deu valor às pessoas banais. "gosto de ti como amigo" ouviu tantas vezes que passou a aplicá-lo acefalamente a quem se aproximava. a georgete, a georgete foi crescendo na sua cabeça de tal forma que à porta do metro já só pensava em estratégias para ir lá bater à porta quando chegasse às 19 a casa. a georgete chega a casa às 18 e agora de inverno veste logo o pijama dos ursinhos com que vai lá tocar à porta quando precisa de abrir a compota. de repente a textura leve do pijama dos ursinhos estava capaz de lhe dar uma erecção. perigoso, quando se entra no metro em hora de ponta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas merda! mais uma vez, o cartaz da intimissimi do outro lado da linha do metro deixava-o deprimido com a possibilidade de vir a ter uma namorada que não modelo de lingerie e ter que apanhar com ela o metro em frente a este mesmo cartaz, que se multiplica pela cidade. esta deusa! estes olhos! q'olhões! ter que a enfrentar todos os dias com uma namorada menos que perfeita era admitir-lhe uma derrota humilhante, uma vida falhada, depois de tantos anos a flirtar com modelos de cartazes, de múpis, de La Redoutes. não podia ser. este pensamento quero eu dizer. repreendeu-se mais uma vez pela superficialidade que parecia estar a minar a sua decisão há momentos inabalável. as formas de apreensão desta realidade mudavam ao ritmo das janelas do metro que chegava, como se tivesse que decidir-se antes de se afastar do cartaz, porque naturalmente não podia tomar uma decisão que não ponderasse estas situações e a melhor forma era tomá-la em conjunto com elas, em confronto directo. sozinho é fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que merda mais superficial. tenho que fazer uma correcção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;devia começar por dizer que o joão tem mais problemas que a banal luta da solidão de quem acha que ninguém é suficientemente bom para ele. o joão tem um trabalho que se banalizou. pouco gratificante, nada evoluiu nos últimos 10 anos. fá-lo sem pensar, obediente e puta. mas o trabalho enfadonho de quem não tem vida nas veias para o abandonar também não é motivo de depressão, ou, a ser, é pouco digno da atenção dos outros. o problema do joão vem detrás e acompanha-o. vem de dentro. do facilitismo com que entrou no mundo real, do desprezo das oportunidades que lhe apresentaram em prol do conforto físico, a forma como perdeu os amigos desinteressados desta decadência de interesses. o joão tem um olho na merda, o outro no infinito, interessam-no banalidades externas que não controla, foge ao âmago da questão, da sua questão. o confronto com a sua própria identidade. "não serei eu um gajo suportável para mim próprio? se me conhecesse na rua, seria meu próprio amigo? ou seria daqueles gajos que odeio de morte?" (convém lembrar que o joão odeia todos os gajos de morte). o problema do joão é não saber o que ser, do que gostar, para onde ir, o que fazer, o problema é tudo isto e nada disto, porque nada disto lhe parece a causa de tudo, e tudo junto parece mais um sintoma. a causa é profunda e só se resolve com outra vida. o analgésico pode passar pela georgete. pode? pode. pena o nome horroroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;entra no metro. embarca. tomou a decisão de não pensar. agir. agir sem pensar só pode resultar mal para terceiros. esses têm os seus próprios problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de resto, numa outra vida poderá começar o dia da seguinte forma. levanta-se ensonado, ficar a dormir mais um bocado seria bom. sente a cara inchada como um saco de batatas, lembra-se do ridículo das caras inchadas do metro em hora de ponta. hálito a água de lavar tremoços. entra no duche lava o cabelo com champô anti-caspa, lava também o resto do corpo e repara que não está a ficar mais novo. sai do duche, pesa-se e não engordou. lava os dentes e lembra-se que tem que marcar a consulta com o dentista. sorri ao espelho à georgete, atrás de si, que acaba de entrar na casa de banho, de cara inchada, e a sorrir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-4343360752513541183?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/4343360752513541183/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=4343360752513541183&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/4343360752513541183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/4343360752513541183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2010/08/georgete-que-ha-em-mim.html' title='a georgete que há em mim'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-2029046341870890117</id><published>2010-08-04T02:19:00.001+01:00</published><updated>2010-08-04T02:31:12.849+01:00</updated><title type='text'>do sol ao rato</title><content type='html'>abro os olhos, o mundo está de lado na minha sala, a minha mão desmaiada de palma para cima no fim do meu braço estendido no tapete foca a minha atenção e desfoca o resto do mundo como numa fotografia pretensiosa de profundidade de campo reduzida. pela janela entra a luz directa do sol, acentua os contrastes, reduz-me o tempo de exposição. não é o sol da manhã senão podia ser a hora da minha morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não me levanto, lembro-me de outras fotografias exactamente iguais, sem as localizar imediatamente no tempo. "já estive aqui" e o esforço de me lembrar leva-me a destruir a barreira da memória, e faz-me comichão no cérebro. numa vida passada, contigo, não estavas em casa, mas eu estava exactamente nesta posição sem esperar por ti, estava simplesmente deitado no tapete da nossa sala a sentir o sol na cara, sem pensar no que tinha para fazer, se é que tinha. lembro-me agora. estava a pensar que já tinha estado exactamente naquela posição anos antes, sozinho, em casa da minha mãe. ela não estava. isso pareceu-me há séculos. noutra vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acordei então de um sonho nostálgico e os diques de defesa do meu cérebro ainda não se tinham levantado, todas as memórias se misturavam nos minutos seguintes ao acordar. porque é que eu estava ali agora e não estava em casa da minha mãe? quando é que passei a chamar casa da minha mãe a essa toca onde passei toda a minha vida até aí e ninguém me punha em causa? o que é que eu estava a fazer ali tão longe de casa? desprotegido? porque é que arrisquei tanto? porque é que te disse que sim, vamos viver juntos? como é que acreditei que podias ser minha mãe e mãe dos meus filhos e minha amiga e minha foda? como é que acreditei que eu seria um bom companheiro de alguém?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acordo agora de outro sonho, no qual não tinha amigos e não importava. estava simplesmente no mundo como toda a gente. era um indivíduo anarca numa sociedade de desconhecidos, que até funcionava, e onde se passavam coisas e mais coisas, de sequência kafkiana sem que ninguém as estranhasse, mesmo estranhando-as. acordo e vejo esta fotografia tão familiar que me faz duvidar que a minha vida não seja cíclica e que portanto não vai a lado nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;apaguei-te da memória, e aos nossos filhos, perdi-vos, não sei onde vos deixei. mas vejo nesta nova fotografia sinais de uma outra família, a bola do meu filho ali debaixo do sofá, o soutien da minha mulher caído no tapete, o osso de plástico do meu cão, mordido e cheio de pêlos com uma definição tão clara que parece mesmo que aquele cão tem uma presença incontornável na minha vida, que alguma vez brinquei com ele com vontade e que fomos felizes os dois. nestes instantes em que as represas da minha memória são repostas e vão impedindo inundações maiores começo a reentrar em todas estas novas realidades, tão presentes que não sei como há segundos as abominava, e vou abraçando-as lentamente. coisa que não consegui fazer quando vos deixei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não sei quantos anos tenho. cada vez que entro completo numa memória descubro mais uma década da qual me esqueci. também não sei quantas mais vezes vou ver esta fotografia que me atravessa vidas inteiras e se cola inoportunamente aos momentos simples. o sol adivinho que terá sempre esta intensidade que a sobre-expõe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-2029046341870890117?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/2029046341870890117/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=2029046341870890117&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/2029046341870890117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/2029046341870890117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2010/08/do-sol-ao-rato.html' title='do sol ao rato'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-2405326024371786597</id><published>2010-07-19T01:52:00.012+01:00</published><updated>2010-07-19T02:25:03.192+01:00</updated><title type='text'>talvez fosse o Goucha</title><content type='html'>fui, algures na minha adolescência, alvo de assédio telefónico anónimo. aconteceu-me em diversas situações, geralmente dirty talk ouvida sob um timbre feminino que me envergonhava imaginar ao vivo, sobretudo naqueles telefones de plástico dos anos 80, que forçavam visões de cabelos frisados, popa e olhos pintados de cores complementares degradé. eram sempre ensaiadamente expeditas e directas e acompanhadas de risos de cúmplices menores no plano de fundo. apesar do sabor pueril da atitude, deixava-me sempre algo diminuído não fazer uma puta de ideia de quem poderia estar do outro lado, não saber se era por desespero amoroso ou uma forma de passar com as amigas a tarde livre de uma semana escolar. nunca diziam como é que tinham arranjado o meu número, mas sabiam o meu nome e por vezes mais qualquer coisa. no momento eu achava piada, algumas ligavam no dia seguinte, mas como eu raramente estava em casa, raramente as atendia e deixavam de ligar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma delas não. uma delas durou uns meses, ligava sozinha, silêncio no fundo, ao fim da tarde, encontrava-me sempre em casa, a conversa não incluía ver-me nu, começou por falar apenas de uma amiga comum que lhe arranjou o meu número mas que tinha que permanecer incógnita. falava de si e perguntava-me como me corria a mim a vidinha. inicialmente achei demente contar a minha vida a uma pessoa que não conhecia e não se apresentava pessoalmente mas com o passar do tempo e das inconfidências que me fazia acerca da própria vida, acabei por fazer também algumas, chegava a desabafar. perguntei-lhe diversas vezes o que ela esperava alcançar com aquela relação, ela disse que não sabia mas que não tinha coragem de combinar nada comigo. imaginei que fosse arraçada de boi-cavalo e que achasse que eu ia deixar de a atender depois de a ver. lancei essa pergunta, como um catalisador, uma vez que aquilo estava a transformar-se numa rotina difícil de explicar aos meus amigos, mais ansiosos que eu que esta história acabasse em sexo. ela respondeu que não era uma questão de ser feia, só que nunca teve coragem para falar com os rapazes de quem gostava e eu era o primeiro. a sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nunca me disse o nome, mas falávamos das nossas famílias, do curso que queríamos seguir, dos pais, dos amigos, de festas, do benfica, de relações. a confiança evoluiu para o ponto de um dia me desabafar o medo que tinha de estar com um rapaz, sexualmente falando. eu, do alto da minha experiência pubertária, disse-lhe em tom paternalista a camelice "só dói a primeira vez".. "não é da dor que eu estou a falar" respondeu ela, "é da situação toda, de não saber fazer as coisas, ou de não conseguir ir até ao fim e ficares triste comigo"... "eu? mas estávamos a falar de sexo um com o outro?", o silêncio do lado de lá foi infinito. mas eu não estava a repreendê-la, "ouve, fiquei surpreendido, só isso. também me agrada a ideia" comentário imbecil, mas funcionou, ela voltou a respirar, aliviada e a rir-se nervosamente. pensei na altura que a miúda se considerava minha namorada, admirei a coragem de dizer aquilo sem hesitar, mas não seria coragem, seria a completa ingenuidade. a mesma ingenuidade com que mantinha aquela relação telefónica comigo e na qual se sentia confortável sem fazer qualquer esforço para que ela evoluísse para o plano da sanidade mental, das pessoas normais (pois, na altura pensava que existissem), para uma queca presencial!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e finalmente chegou ao dia D.&lt;br /&gt;ligou-me à hora do costume, nos últimos dias eu não tinha estado em casa, não falámos. desta vez havia um ambiente grave, estava chateada com alguma coisa. mesmo assim perguntou-me o que tinha feito nesses dias, mas empregou o tom que mais tarde na vida reconheci como o da namorada que está só à espera que eu lhe pergunte se está tudo bem (e ela responderá que sim, que está tudo bem, no mesmo tom, para eu perguntar outra vez). perguntei "está tudo bem?"&lt;br /&gt;- mais ou menos (reticências).&lt;br /&gt;- mais ou menos?&lt;br /&gt;- sim.&lt;br /&gt;- queres aprofundar?&lt;br /&gt;- eu vi-te ontem.&lt;br /&gt;- ah foi? mas não foi a primeira vez que me viste, ou foi? :) (um sarcasmo na água)&lt;br /&gt;- vi-te à porta do bloco C, eu estava a ter português.&lt;br /&gt;- à porta do bloco C...? ah...&lt;br /&gt;os silêncios ofegantes sucediam-se a cada troca de frases, eu lembrei-me do que tinha estado a fazer à porta do bloco C.&lt;br /&gt;- já percebi o que se passa. e então? estás triste por isso?&lt;br /&gt;- não estou chateada, eu sei que não tenho o direito de estar chateada. nunca falámos em exclusividade. não sei. não sei o que hei-de dizer... quem é a rapariga?&lt;br /&gt;- é a marta. estou com ela há uma semana, acho que somos... tipo... namorados. (e não entendo o que queres dizer com exclusividade (mas poupei-a ao ridículo)).&lt;br /&gt;ouvi-a chorar do outro lado, o choro abafado das mulheres em campos de concentração à noite (...), tentei continuar a conversa, acalmá-la, mas como o choro não era assumido fiquei sem palavras de consolação, que naquela idade seriam sempre passíveis de um calduço do espírito santo. disse-me "está bem, tenho que desligar" com o som do ranho pré-explosão emocional a entremear algumas das palavras gemidas, e com um simples pousar de auscultador deixou órfãos quase 3 meses de paciente evoluir de confiança mútua. pensei que voltasse a ligar. não. mas assim revelou-me em estreia uma das primordiais diferenças entre mim e uma mulher e que se verificou desde aí: ela submete-se às coisas mais ridículas e insensatas quando gosta de mim, mas quando desiste eu deixo de existir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-2405326024371786597?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/2405326024371786597/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=2405326024371786597&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/2405326024371786597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/2405326024371786597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2010/07/talvez-fosse-o-goucha.html' title='talvez fosse o Goucha'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-38468311934684758</id><published>2010-07-01T15:27:00.016+01:00</published><updated>2010-12-07T17:30:24.135Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;object width="535" height="25"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/0jWSFdIAEUU&amp;amp;hl=pt_PT&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/0jWSFdIAEUU&amp;amp;hl=pt_PT&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="500" height="25"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-38468311934684758?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/38468311934684758/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=38468311934684758&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/38468311934684758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/38468311934684758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2010/07/blog-post.html' title=''/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-2310486912053898241</id><published>2010-06-27T02:28:00.019+01:00</published><updated>2010-06-27T03:50:12.932+01:00</updated><title type='text'>evitável</title><content type='html'>saí da sala de cinema agoniado. a rapariga ficou para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;corri, sem correr, para a casa de banho, mas antes que chegasse a uma cabine para vomitar, a luz branca acalmou-me o estômago. lavei a cara. sempre reparei atentamente como o espectro do vómito nos consegue fazer ver ao espelho um arrumador sujo de pele verde rugosa e suada, os olhos cansados e assimétricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sequei a cara e voltei à procura da minha companhia, "espero que não tenha pensado que fugi dela". embora me apetecesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- então? estás bem? estavas um bocado pálido antes de começares a correr.&lt;br /&gt;- sim. deve ter-me parado a digestão durante o filme. este sushi dos chineses nunca é de fiar.&lt;br /&gt;- sushi dos chineses? sushi é japonês.&lt;br /&gt;- sim, mas estes assim à la carte mais baratuxos são dos chineses.&lt;br /&gt;- hãã? whatever...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;encaixei o desprezo dela, não tinha literalmente estômago para ter aquela conversa. depois de duas horas no escuro a ver o Mamma Mia, a ouvir as suas gargalhadas descontroladas em uníssono com a restante audiência, numa exaltação irracional que me fez lembrar os Dois Minutos de Ódio do Grande Irmão, não tinha de facto coragem para iniciar a conversa arrogante, que é a minha, de quem percebe a diferença entre sushi bom e sushi de merda. fico sempre mal aos olhos ingénuos dos leigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nesta leiga em especial, não me interessava um pêlo púbico que fosse. nem uma pestana transferida numa coçadela de olho rameloso. foi um erro, que percebi no momento em que ao telefone ela escolheu o filme. mas o que podia eu fazer? "desculpa, eh.. que estupidez, lembrei-me agora que sou gay, este date não faz sentido" ou que não sou gay e daí não querer ver o Mamma Mia e os guinchos cantantes do Pierce Brosnan como quem está a ser sodomizado a seco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- leiga, disse-lhe eu, estou a ficar com um bocado de sono, além de que ainda estou um bocado enjoado. se calhar vou pôr-te a casa.&lt;br /&gt;- ah é?! então mas não queres tomar um copo? pensei que..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não sei dizer que não às pessoas e isso irrita-me, corroo-me por dentro enquanto respondo algo alimentício como - "onde?"&lt;br /&gt;- não sei, ali ao Cup &amp;amp; Cino..&lt;br /&gt;- eich, isso é péssimo, queres ir ao Galeto?&lt;br /&gt;- Galeto? ahah, isso não é só velhos?&lt;br /&gt;- epá, ya, mas come-se. se nunca lá foste temos que ir mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o serpentear do balcão teve nela o efeito contrário da minha expectativa. riu-se, mas no mau sentido. ficou desiludida pelo facto de não haver mesas. "não te preocupes, tem mais piada assim" assegurei-lhe, mas não era de todo a sua ideia de piada. sentámo-nos. à nossa frente, do outro lado do balcão, estava um casal de cinquentões. usados, experientes, cansados, amargos. não se falavam. ele fumava, ela sorvia a sopa. ele olhou para nós, pensou que éramos um casal jovem, feliz, iludido. li o seu pensamento "coitados, não sabem o que vos espera, ingénuos. aproveitem enquanto são estúpidos e ignorantes". não sei se ele leu o meu "velho, não estou melhor que tu. já estou farto desta gaja e ainda nem a vi nua".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- mas costumas vir aqui?&lt;br /&gt;- costumar costumar, não costumo, mas isto tem piada, tens que admitir, é kitsch!&lt;br /&gt;- é estranho, toda a gente de frente uns para os outros, os empregados aqui no meio, pessoal muita feio. olha aqueles 3 indianos?! cheios de ouro? parecem dealers! um deles não pára de olhar para aqui. e aquelas velhas parece que estão no engate!&lt;br /&gt;- certamente estão. tenho pena que não gostes disto.&lt;br /&gt;- não é que não goste, é um bocado cota, ainda me estou a habituar. LOL!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LOL?! nunca tinha ouvido alguém a verbalizar essa juvenil sigla onomatopaica das interwebs. que triste. provavelmente ela visualizou a frase na sua cabeça "n eh q n goxte". que geração perdida. isto não faz sentido, vou acabar com a farsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- eu estou algures entre esta geração e a tua.&lt;br /&gt;- hãã?! (outra vez o nariz torcido de desprezo das mulheres) não tens a minha idade?&lt;br /&gt;- nah. tenho 35.&lt;br /&gt;- oh, estás a gozar. q extupiduuu!&lt;br /&gt;- não, tenho mesmo - disse eu, sorriso nos lábios, no meu habitual misto de orgulho imberbe e paternalismo de avô, cada vez que lanço a bomba da minha idade a estranhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a importância que dou a esse momento torna-o ainda mais ridículo, tornei-me especialista, em vez de o banalizar. felizmente nunca nenhuma miúda me perguntou "então o que é que um cota como tu está a fazer com uma pita de 20? qual é o interesse que vês em mim? não era suposto teres uma sensatez, bagagem cultural, emocional, interesses, carreira, que eu não conseguisse acompanhar? não tens andamento para as miúdas da tua idade? és um triste na tua faixa etária, desprezado? és um velho rebarbado e anacrónico?" elas não pensam assim. pensam, como pensavam quando eu tinha a idade delas (rancoroso e angustiado por isso), "este gajo mais velho gosta de mim pelo que eu sou, acha a minha forma de pensar suficientemente interessante para investir em mim, ser o meu patrono, ensinar-me. e ele tem tanto para me ensinar! e eu quero tanto aprender!". e é verdade. LOL!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o miguel não me disse a tua idade! que cena marada!&lt;br /&gt;- que cena marada de facto..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;senti esse momento como o virar da noite. "epá, fuck it. o que é que tenho a perder? já aguentei tudo o que tinha a aguentar hoje no que diz respeito a fretes. agora que era a altura de começar a ganhar vou-me pôr a arder? que desperdício!" e realmente, que desperdício, 20 anos bem empacotados, geração Morangos. eu há um mês que não tirava a roupa a uma mulher, no meu calendário é a altura em que começo a duvidar da existência de Deus e a chatear-me com os amigos. investi como profissional que sou. na verdade apenas porque, quebrada a farsa, passou a ser uma questão de competição comigo próprio, o meu eu físico, contra o meu eu crítico. a inevitabilidade daquilo que sou, contra a consciência auto-destrutiva do ridículo. uma questão de orgulho bipolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o resto da noite correu as expected. conversa galopante, piada fácil, o Mamma Mia deixou antever a receita. ela riu gargalhadas por entre confidências de que para ser feliz com um homem bastava que ele a fizesse rir. não tivesse eu um cérebro e teria ficado contente com esse cliché auto-ilusório, da idade em que o riso é mais importante que o sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;casa minha. sexo começou mal. detesto mulheres que querem satisfazer o homem às expensas da sua própria satisfação, munidas de um contorcionismo ofegante e tão frenético quanto falso que arrisca partir-me a pila. parece que estou a foder um touro mecânico. assim que a consegui agarrar a duas mãos, abrandei o ritmo, correu melhor. até deu para ela fingir um orgasmo com bom aspecto. portanto, acabámos ambos contentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acordei de manhã agarrado ao rabo de um corpo despido e firme, com um cheiro a criança que me fazia sentir um criminoso envergonhado, mas satisfeito. fui à sala enquanto a miúda dormia e como sempre, mandei uma mensagem à Sofia. "olá. esta noite correu-me bem lol! vou agora fazer um pequeno almoço completo, como aqueles nossos, para a minha one night stand! não tenhas ciúmes :) e tu, como estás? tenho saudades tuas. podias ao menos responder às minhas mensagens para saber que estás bem. ou atender-me. beijo grande ***".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-2310486912053898241?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/2310486912053898241/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=2310486912053898241&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/2310486912053898241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/2310486912053898241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2010/06/evitavel.html' title='evitável'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-2472567553600888638</id><published>2010-06-12T01:38:00.007+01:00</published><updated>2010-06-12T02:11:13.703+01:00</updated><title type='text'>todos os dias resisto a mandar-te pró caralho</title><content type='html'>sou um bocado dependente das amizades. do contacto continuado com os meus amigos, das combinações repetidas, do regresso aos assuntos mortos. não estar com uma pessoa mais de 3 semanas para mim é sinónimo de que as coisas não estão bem. de que a outra pessoa, ou eu, não sentimos saudades um do outro, necessidade de reencontro. é sinónimo de que a amizade sofre de um mal crescente, identificado ou não, que vai acabar por corroê-la e quebrar o elo. a vontade diminui. a prioridade muda. é mais forte do que eu, senti-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mudei um bocado com a morte da minha prima-avó (não mudei, mas precisava de introduzir esta variação). por um lado comecei a precisar de estar com as pessoas mais vezes, dizer-lhes que terei saudades delas quando desaparecerem, embora nunca o diga. e desperdiço cada oportunidade de o fazer. por outro lado deixei de ficar tão ressentido por se afastarem, ou por precisarem menos de estar comigo, mas continua a custar-me a recusa. não sei, um trauma de infância qualquer, não me lembro de me terem recusado nada, mas se calhar o problema foi precisamente esse. fodam-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;melhorei. preciso hoje mais de momentos a sós com o meu cérebro, com a minha pila, com a minha voz. não suporto ser interrompido a ler, a pensar ou a ver uma merda qualquer na televisão idealizada para vegetais. mas ainda não dispenso o contacto semanal com pelo menos um dos meus amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;gostava de ser como aquele amigo meu, o mais antigo (mas isto não é uma carreira de professor), que não vê o email. não usa, ou usa pouco, ou só responde a coisas urgentes e num prazo de 2 dias (que exagero, no mínimo 3 dias úteis) e não responde sequer à urgência em questão. o email é sobrevalorizado, diz ele. nunca será um verdadeiro meio de comunicação entre as pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tem 3 telefones e nenhum deles é da minha rede. em qualquer dos casos nunca anda com os 3, deixa sempre um em casa ou no carro. realmente andar com 3 telemóveis é estúpido, principalmente sendo 2 deles da mesma rede, e fazem-no parecer mais gordo. assim mensagens escritas estão fora de questão porque não há garantia de lhe chegarem a tempo e horas. só mesmo ligando e mesmo assim pode não atender nenhum dos telefones.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com ele não se deve dar uma combinação por garantida, pode aparecer, ou pode não aparecer. a horas nunca, isso é certo. uma hora combinada significa a hora em que ele, na outra ponta da cidade, começa a pensar se vai aparecer ou não, resolver assuntos pendentes, pesar os prós e os contras. avaliar o custo-benefício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não é de admirar. eu ando uma seca de pessoa. os verdadeiros amigos dele são divertidos, grandes histórias de festas, bebedeiras, carnavais. estão sempre a ir aos anos uns dos outros. comigo e com os outros amigos comuns não há diversão. o tempo a passar é um martírio, é um esmagamento em câmara lenta. sobretudo quando ele aparece, logo por azar. de qualquer forma é-lhe indiferente. não precisa de amigos. a não ser quando precisa deles. (ciclicamente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu gostava de ser assim. não estou a brincar, admiro-o. não necessitar de estar ou falar todos os dias com as pessoas para saber que me atendem o telefone se eu precisar. que, desde que não morram (e as alimentemos uma vez por ano), as pessoas não desaparecem da linha de horizonte, da camada exterior de protecção. isso até me parece plausível, e nem duvido que assim seja, como é no caso dele, em 90% dos casos. mas se me afastasse de um grupo específico, perderia todas as cusquices. e sem as cusquices, não há propriamente cumplicidade. e afoga-se a amizade em formol.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-2472567553600888638?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/2472567553600888638/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=2472567553600888638&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/2472567553600888638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/2472567553600888638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2010/06/todos-os-dias-resisto-mandar-te-pro.html' title='todos os dias resisto a mandar-te pró caralho'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-5131373768500235157</id><published>2010-06-07T16:08:00.003+01:00</published><updated>2010-06-08T02:05:23.580+01:00</updated><title type='text'>style over comfort</title><content type='html'>queria mexer-me dentro deste casaco. é impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fica-me bem, mas só se não me tentar mexer. ao mínimo movimento de braço fico com o pulso à vista, por onde entra uma corrente de ar que sobe pelo interior do antebraço e me eriça os pelos do pescoço, e sobretudo é inestético, como se fosse o casaco do meu irmão mais novo. quando viro a cabeça para um lado, sinto o ombro do lado oposto a apertar e a flectir para a frente, e o tecido das costas a fazer uma diagonal de lençol assimétrico. consegui apertar os botões mas não estou a conseguir respirar muito bem. tento respirar pouco e pausadamente. sinto as costuras a dilatar a cada inspiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;já me disseram que fica impecável, mas aos amigos mais íntimos admito que estou bastante deprimido com a realidade deste casaco. não é bem o que aparenta. "por exemplo estes dois bolsos enormes no peito: não têm função, são puramente estéticos". os conselhos não variam muito, tenho que o mandar arranjar, se me sinto mal não posso continuar a aguentar uma situação que não há maneira de melhorar. mas tenho medo que façam merda e o estraguem para sempre. e aí fico sem a forma e sem a função. sem a aparência e sem o conforto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porque já se sabe, uma pessoa só dá valor ao que tem quando o perde. se eu não for uma princesinha exigente e mimada, ele sempre serve para sair à rua e, no mínimo, passar despercebido. se eu ficar quietinho, ele até me aquece. é o que se quer da vida. e de tempos a tempos, ouvir alguém a gabá-lo. "eu e o manel sempre vos admirámos. tu e o teu casaco são uma referência para nós, para toda a gente".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-5131373768500235157?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/5131373768500235157/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=5131373768500235157&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/5131373768500235157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/5131373768500235157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2010/06/style-over-comfort.html' title='style over comfort'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-834497636980805710</id><published>2010-06-02T15:50:00.001+01:00</published><updated>2010-06-02T16:03:37.538+01:00</updated><title type='text'>o meu futuro</title><content type='html'>é assim, passamos 15 ou 20 anos a tentar ser irreverentes por imitar uns quantos chavões da adolescência, evolutivos, alguns já do tempo dos nossos trisavós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mudar o mundo, depressa se transforma em "ok, primeiro viajar, depois mudar o mundo" e aí estamos a um passo das férias no algarve uma vez por ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as relações modernas, abertas, sem laços, a poligamia, a bissexualidade, a abstinência, resultam em gémeos falsos e um golden retriever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o trabalho. patético. descobrir a fusão a frio, ser uma referência na área, ir à televisão onde nos pedem a opinião, a admiração de todos os pares (o primeiro caso em portugal), ter uma estátua, o nome numa rua em todas as capitais de distrito. primeiro cruza-se isso com o mudar do mundo, mas já na fase do viajar primeiro, trabalhar lá para fora, ganhar o ordenado mínimo de um país desenvolvido, equivalente a 4 ou 5 deste país. passamos de gurus da arquitectura a avecs. voltamos nas férias, com uma energia nauseabunda, a saudade, ninguém tem paciência para estar connosco mais do que uma tarde de café. perdemos amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bom, de qualquer forma, mudar o mundo não paga rendas, não paga bebidas ao fim de semana, não paga holme's places, iphones. até é giro ser um mártir desde que não se tenha que morrer, ou para esse efeito, deixar de comprar certas coisas impecáveis que os outros também têm. há limites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu não saí da europa. tenho vergonha de falar no meu interrail, não se compara ao teu transiberiano. também não fui trabalhar para fora, fiquei cá, mas trabalhei mais que tu, mesmo só fazendo merda, porque o meu patrão não tem escola europeia, mas asiática. horários, direitos humanos, não se me aplicam. em compensação ganhei muito menos. mas o futuro está aí à porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não tenho um par de gémeos, tenho um filho único ....... vale muito mais do que qualquer dos meus sonhos nestes 40 anos. ele vai ser diferente de mim. e do meu pai, e do pai dele. já se consegue ver hoje em dia, é um líder. vai ser deus na terra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-834497636980805710?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/834497636980805710/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=834497636980805710&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/834497636980805710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/834497636980805710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2010/06/o-meu-futuro.html' title='o meu futuro'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-782614480973626265</id><published>2010-05-12T18:02:00.014+01:00</published><updated>2010-05-13T12:47:16.397+01:00</updated><title type='text'>verdes anos</title><content type='html'>não tenho razões para me considerar um gajo bonito. a adolescência não me sorriu em termos amorosos, nem as raparigas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os dias de escola eram passados a fumar com alguns colegas atrás do pavilhão de química. da parte que me lembro, claro, das aulas em si não me lembro de muito. lembro-me de passar o tempo todo nas mesas do fundo da sala a tentar esconder-me atrás dos colegas, não para fazer alguma coisa de mal, mas para o professor não me ver e não se lembrar de me perguntar alguma coisa sobre a matéria, ou quem era eu. não sei como acabei o secundário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sempre houve os casaizinhos apaixonados e desapaixonados, que se sentavam ao lado um do outro, ou o mais afastado possível na sala, que iam ao cinema e festas e concertos e de férias com outros casais apaixonados ou em caldinhos organizados. autênticas novelas adolescentes a que eu assistia num misto de nojo e inveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fora da escola andei sempre em grupos de gajos, gajos, gajos, nunca houve uma única rapariga no nosso grupo. as poucas que se tentavam aproximar não eram muito interessantes e de forma natural acabávamos por evitar dar-nos com elas, como se nós fossemos gajos muito interessantes. dos meus amigos apenas um tinha tido namorada e vangloriava-se de já não ser virgem, mas nunca acreditámos verdadeiramente, porque namoraram 1 mês e tinham 12 anos, numa altura em que o curfew era às 7 da tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cheguei a pensar que era assim que os homossexuais descobriam a sua orientação, mas apesar de algumas experiências confrangedoras em balneários de piscinas públicas, nunca isso se me revelou alternativa viável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;saíamos num grupo de 4 ou 5, íamos à feira, à praia, a uma festa qualquer. agora à distância não me parece que tivéssemos grande jeito para roupas mas achávamos que tínhamos. pelo menos nenhum de nós teve um Duffy, valha-nos isso. mas isto para dizer que em ocasiões sociais não seríamos dos mais vistosos. ou se éramos não seria pelas melhores razões. por isso, regra geral, não socializávamos de facto. íamos apenas ver as vistas, gozar (e ser gozado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;qualquer casal no bairro era risível, o joca teve desde sempre uma namorada que era uma rolha de poço, o bruno lombardo e a carla (filha da dona adelina) quando começaram a andar "só estragavam uma casa" porque não era previsível que alguma vez algum deles viesse a engatar alguém, era uma relação ridícula, o outro puto vizinho do ricardo arranjou uma pita muita gira, mas era tão ciumento que era patético a quantidade de vezes que estavam a discutir em público por causa de uma merda insignificante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas à medida que crescíamos tornava-se cada vez mais óbvio que estávamos a perder alguma coisa. alguma coisa de que víamos os outros putos do bairro usufruir e nós não. os gajos que achávamos cool não tinham namoradas mas tinham curtes, montes delas, e estavam sempre a contar histórias, algumas com repugnante sensibilidade para com as mulheres. nós nunca tínhamos sequer tocado na pele de uma rapariga a não ser quando na praia, aproveitando os aglomerados de pessoas a divertir-se no rebentamento das ondas, nos atirávamos contra as miúdas de bikini e ficávamos a rebolar com elas na espuma para depois pedir desculpa e dizer que tinha sido sem querer (tantas vezes saí da água de pau feito).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;começámos a ter paixões assolapadas por raparigas que não conhecíamos bem, cada um de nós tinha uma, o nuno não tinha mas inventou, parece-me. essas paixões não davam em nada, só em incentivos constantes "vai lá! pede-lhe o número de telefone" "és doido, e se ela não me dá? nunca mais consigo olhar para ela" "se não der é porque é uma puta e cagas nela! passas à próxima!" sim, já foram tantas... enfim, nem os incentivos eram racionais, nem a vontade de arriscar era muita. davam em relações unilaterais duradouras, com ciúmes e tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tornava-se também óbvio que o facto de andarmos frustrados estava a criar dentro do nosso grupo uma crispação grave, com paixões pela mesma rapariga (eu vi primeiro), com perdas de paciência por coisa nenhuma, que acabaria por nos fazer desconfiar uns dos outros e eventualmente afastar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas terminado o secundário, e tendo cada um de nós seguido um curso diferente, chegou uma altura de reavaliações. redefinições de amizades, de conceitos, de culturas, de gajas. muitas delas vinham do interior do país, e apesar de, não sem estranheza, me parecer que algumas delas seriam muito mais vividas que eu, eram quase todas bastante abertas, interessadas, joviais, atenciosas. pela primeira vez, possivelmente pela não presença do meu grupo de amigos, eu era capaz de comunicar com raparigas. tinha alguma dificuldade em manter certo tipo de conversas, de sexo por exemplo, para além de ser chocante ouvir certas palavras da boca de raparigas, tinha a clara sensação de que era o único que não conhecia o assunto por dentro. salvo seja. e mesmo que viesse a conhecer em breve, como esperava, ainda me faltava muito para o conhecer a fundo. (esta dispensava-se).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não passou muito tempo antes que conseguisse, de entre um grupo de raparigas que achei horrível nos primeiros dias, começar a gostar de uma rapariga de caracóis castanhos, olhos verdes e lábios de manuela moura guedes (se conseguirem retirar da vossa cabeça o resto da cara da manuela moura guedes ganham o euromilhões). tinha, isso sim, debaixo das camisolas de pastor que a mãe lhe devia tricotar, um generoso par de mamas, e tentei escolher bem a acuidade das palavras (não descurar) para que pelo menos o leitor masculino consiga entender a qualidade daquilo que acabo de descrever e limitar-me as palavras num assunto que me apetece alongar ad aeternum, tal a excitação que provoca em mim. sobretudo quando me lembro do início do 2o semestre, ui! a primavera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esta sofia dava-me atenção. nos jantares de turma, logo no primeiro aliás, quando a turma se dividiu entre o pessoal do transe e o das brasileiradas para decidir para onde seguiríamos, ela lançou comigo o grupo do pessoal do pão com chouriço, que infelizmente teve demasiados aderentes. penso agora como estava bêbado e insisti para irmos todos, inviabilizando a minha possibilidade de fazer figura de parvo sozinho com ela. lembro-me depois de estarmos sentados nuns degraus a comer, ela a dizer que o chouriço dela era maior que o meu, senti-me verdadeiramente feliz. bêbado, claro, mas ela também, e ambos menos que o luis pissarro que estava a rebolar no seu próprio mijo e nos proporcionava um espectáculo vaudeville com cânticos grotescos das outras miúdas da turma, delfins, se bem me lembro. falei com ela de imensas coisas mas no dia seguinte e até hoje não consegui lembrar-me do quê. eventualmente ela meteu-se num táxi, e aí acabou também a minha noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esta memória permanece como o momento alto da minha relação com a sofia, com as mulheres em geral, apesar de progressivamente termos ganho confiança, termos feito umas directas juntos a trabalhar para projecto, e termos até constatado que à nossa confiança crescente bastava apenas acrescentar uns beijos para sermos namorados (e termos de facto vindo a fazê-lo e a sê-lo). Penso que por causa da atenção que ela me dava, grande novidade na minha vida, não associei aquilo que sentia por ela às outras paixões que tinha tido na adolescência, por raparigas que não tinham percebido que eu existia, e tenho vergonha em admitir que, comparando, os sentimentos pela sofia eram bastante menores, menos agudos. a baixa conta em que eu me tinha perante o sexo oposto não me deixava admirar a sofia da mesma forma, pelo simples facto de ela sorrir e reluzir os olhos quando falava comigo. apesar de triste esta constatação, foi possivelmente isto que me permitiu aproximar dela sem fazer a mesma figura de mentecapto que fiz toda a minha vida cada vez que abria a boca ao pé de uma rapariga de quem gostava. quando percebi que gostava dela já tínhamos alguma confiança e ela já gostava de mim. não havia forma de estragar aquilo (é estranho, mas o laço entre dois seres humanos apaixonados é exageradamente elástico).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi sem grande surpresa mas com uma ansiedade humilhante que deixei que ela me beijasse (!!) numa dessas directas de trabalho na casa que ela alugava em lisboa. estávamos os dois na cozinha, eu a fazer dois baldes de café e quando me virei da bancada com as canecas na mão, ela beijou-me enquanto me passava a mão pelo cabelo e encostava a mim aquelas mamas cheias, mamilo dela com mamilo meu. tremi tanto que entornei o café todo, por cima dela, por cima de mim, na carpete branca. ela riu-se mas eu comecei a ficar com falta de ar. estava irritado por não conseguir controlar os meus movimentos parkinsonianos, o meu suor, o meu rubor, senti-me patético. senti até que os meus intestinos me podiam atraiçoar a qualquer momento. mas ela foi querida como só uma mulher feliz pode ser, enquanto limpávamos o chão ela ia gozando com a minha falta estabilidade, imitava o que me pareceu um frankenstein drogado (seria eu?), dava-me beijos no pescoço, deixava cair pacotes de açúcar na minha cabeça, fazia-me cócegas, os dois de joelhos a limpar o chão. limpou-me as calças com um pano e inadvertidamente tocou-me na zona das cuecas, que é como quem diz na pila, mas só eu é que dei importância a isso. era a primeira vez que alguém o fazia, mas o nervosismo não deixava a minha pila encher-se de orgulho, pelo contrário, estava transformada num cateter. acabámos a noite deitados no sofá, vestidos, com ela a ensinar-me a beijar com língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tornámo-nos num casalzinho da turma, éramos bem aceites por toda a gente, íamos ao cinema, a festas, à praia (ui, o verão..) e de férias com outros casais e não casais. comecei a entrar nas conversas de sexo com outro à-vontade, depois da triste experiência das primeiras 3 vezes que tentei usar um preservativo as coisas começaram eventualmente a correr melhor, deixei de oscilar entre a total ausência de erecção e a ejaculação precoce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;todos os dias o savoir faire da sofia me surpreendia um pouco mais, descobri que ela tinha já tido dois namorados de longa duração, e depois de lidar com "sim, o bernardo tinha uma pila beeemm maior que a tua, mas não é o tamanho que interessa" comecei apenas a concentrar-me naquilo que ela poderia esperar de um namorado, com certeza eles tinham já subido a fasquia, o que me assustava, dada a minha inexperiência, mas ela descansava-me sempre com "eram uns putos, foram relações de adolescente, hoje em dia preciso de um homem, preciso de ti". esta frase para mim era uma contradição, mas preenchia o buraco temporariamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois de uma fase excelente, longa, da qual tenho imensas fotografias, veio uma fase difícil de que me custa lembrar, a relação explodiu. eu sei, as minhas inseguranças, por vezes a minha indiferença pelos esforços dela, contribuíram para a precipitação de acontecimentos no final do 2o ano lectivo. deixámos de andar juntos na faculdade. nos jantares de turma acabávamos a falar com outras pessoas a noite inteira, separados. ela tentou falar comigo algumas vezes acerca disso, mas convém não esquecer que eu nunca tinha tido uma relação, aquilo para mim era eterno, nunca teria fim, tal como a relação dos meus pais que se odiavam mas continuavam juntos. sempre evitei as conversas sérias "acerca da relação". um dia mais uma vez "precisamos de falar", sim, já sei, achas que andamos afastados, diz lá, qual é a tua solução? "não há solução, acho que esgotámos isto"...... hã? esgotámos o quê? então? e agora? "agora nada, é melhor acabarmos, já não sentimos nada um pelo outro, eu não sinto"..... senti no estômago a mesma sensação de quando ela me beijou na cozinha a primeira vez, mas o horizonte desconhecido não se afigurava desta vez como um mundo de continentes por descobrir, antes como uma Terra plana e perigosamente próximo da aresta, com vista para o vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que se passou no resto da conversa foi demasiado humilhante para reproduzir, inclusivamente nos dias seguintes, telefonemas, mensagens, o vazio completo. era o fim do ano, por isso já raramente nos víamos mas de cada vez que isso estava para acontecer ficava num estado de ansiedade nos dias anteriores que não dormia. também não comia, emagreci imenso, perdi a barriga de cerveja, which was nice. qualquer mensagem que recebia ia a correr para o telefone, mas era geralmente a Vodafone a dizer que tinha que carregar o cartão. cheguei a tirar o som do telefone, numa atitude que depois percebi masoquista, porque estava sempre a olhar para o ecrã. a pouca comunicação que houve nos tempos seguintes foi cordial da parte dela, disfarçadamente desesperada da minha parte. nunca mais deu em nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vivi no pânico de vir a saber que ela era feliz. e um dia soube que pelo menos tinha um namorado. vi-os juntos sentados no bar da faculdade, ela ao colo dele, no meio dos amigos que também tinham sido os meus. devia ser feliz, pelo menos tanto como eu fui quando começámos a andar. doeu, mas acelerou a minha convalescença. mas doeu muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;voltei a dar-me com os amigos do bairro. liguei ao nuno, logo nos dias seguintes, e apesar do ano e meio sem nos darmos parecia que não tinha passado uma semana. ele continuava apaixonado por uma miúda do secundário, que seguiu o mesmo curso que ele. aliás, o que aconteceu foi exactamente o inverso. ele seguiu o curso dela, e continuava sem admitir que Relações Internacionais não era o que ele queria seguir e apenas o fez para ir atrás dela. todos os outros tinham finalmente provado a carne feminina e tinham ficado viciados, embora nenhum deles tivesse de facto arranjado namorada. estávamos e temos estado todos bastante mais abertos a novas amizades, menos hienas, saímos juntos hoje em dia e é rara a ocasião em que voltamos para casa juntos, mesmo que eu apenas socialize, sem comer nada..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;recentemente cruzei-me com ela à saída do metro, pareceu fixe, falou-me bem, fartou-se de perguntar coisas acerca da minha vida, falou-me no novo namorado (que atingiu finalmente os mínimos para as olimpíadas... foda-se), e disse que ainda tinha uma camisola minha com que dormiu um dia que fiquei lá em casa. keep it, disse eu. mas na verdade apetecia-me usar esse pretexto para voltar a vê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o ricardo tocou lá em casa há uma hora "vou agora para o café de cima. passa lá."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando entrei senti-me observado, estava uma miúda demasiado gira sozinha a ler um livro, que se mexeu até captar a minha atenção e olhava-me ansiosamente. coisa rara, no meu reportório. sentei-me com o meu amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"olá. já pediste?"&lt;br /&gt;"já. viste a gaja do livro ali à janela? podre da boa!"&lt;br /&gt;"vi, acho que estava a olhar para mim."&lt;br /&gt;"a olhar para ti como?"&lt;br /&gt;"com os olhos."&lt;br /&gt;"oh, estava a olhar porque tu entraste, estava a ver quem era"&lt;br /&gt;"não sei, mas pareceu-me bastante interessada em fazer-me ver que estava a olhar para mim."&lt;br /&gt;"foda-se que porco, eu vi-a primeiro!"&lt;br /&gt;"a questão é: ela viu-te a ti?"&lt;br /&gt;"não, isso não é assim, eu vi, está marcada. já sabes."&lt;br /&gt;"então vamos lá dizer-lhe isso 'olha, nós costumamos marcar as raparigas, como as vacas, e o meu amigo marcou-te. és dele.'"&lt;br /&gt;"és mesmo cabrão, então vá, se é tua tens que ir já lançar o laço, senão vou eu."&lt;br /&gt;"assim pressionado não dá!"&lt;br /&gt;"vá, tem que ser, se estás a desmarcar uma gaja que eu marquei tens que ter tomatinhos."&lt;br /&gt;"hhmm.. espera aí então, não me stresses."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;levantei-me, vim ao balcão, pedi um sumol de ananás e um pão de deus misto. vou fazer o quê? sento-me lá? digo-lhe o quê? ir comer para o pé dela é estúpido, fazer migalhas.. mas ela estava a olhar, isto aconteceu umas 3 vezes na minha vida e duas delas foi uma tia ninfomaníaca. está a olhar outra vez! vou lá, caguei. vou falar de Sumol vs Fanta vs Frissumo ou explicar-lhe como ver se um pão de deus é do dia. não! vou levar-lhe um kinder surpresa! bora lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-782614480973626265?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/782614480973626265/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=782614480973626265&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/782614480973626265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/782614480973626265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2010/05/verdes-anos.html' title='verdes anos'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-7104607529552604922</id><published>2010-05-05T21:06:00.005+01:00</published><updated>2010-05-06T16:36:50.307+01:00</updated><title type='text'>A 0182</title><content type='html'>na tentativa inusitada de explicar ao revisor do eléctrico a razão de não ter bilhete, sem querer, escapou-se-me um foda-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"modere a linguagem" disse ele "não vê que estão aqui senhoras?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"senhoras?" disse eu "também há aqui senhores, esses preocupam-no menos?" claramente preocupavam muito menos, senão não teria perdido os primeiros 15 minutos da viagem numa conversa de cortesia com as duas vistosas senhoras que viajavam dois bancos à minha frente, e que durou exactamente o tempo de eu desfazer completamente nas mãos o meu bilhete "eu já lhe expliquei, quando o vi entrar tirei o bilhete do bolso. você demorou, eu estava distraído e fui fazendo este rolinho com o bilhete."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"não goze comigo, isto não é bilhete nenhum, não tem nada aqui impresso, quer que eu acredite que isto é um bilhete?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"ouça, repare nos meus dedos.. estão completamente pintados de preto. é a tinta do bilhete, que saiu toda."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"portanto, você tem os dedos sujos e por isso eu não o devo multar, é isso?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"não, você não me deve multar porque eu comprei bilhete."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"e onde é que está o bilhete!!? irra!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não me contive "modere a linguagem...."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele não se conteve. tirou-me o bilhete das mãos, agarrou-me pelos cabelos e atirou-me para fora do eléctrico, para me estatelar de cara no chão aos pés das pessoas que se encontravam na paragem do eléctrico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"ahah" gritei vencedor enquanto cuspia uma beata pisada "enganei-o, isso não é um bilhete! é uma senha da Loja do Cidadão!"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-7104607529552604922?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/7104607529552604922/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=7104607529552604922&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/7104607529552604922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/7104607529552604922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2010/05/0034.html' title='A 0182'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-4345722806904847328</id><published>2010-04-16T15:33:00.002+01:00</published><updated>2010-04-17T01:33:54.185+01:00</updated><title type='text'>óbvio</title><content type='html'>ao fim de pelo menos duas horas a fazer conversa de sala com pessoas desinteressantes, cruzou o olhar com "a" miúda da sala. já a tinha visto como é óbvio, era visível, mas não estava à espera que ela fosse olhar para ele desta forma. com um eye contact de mais de 3 segundos, com um sorriso implícito, com demorada dessincronização entre o virar da cara e o virar dos olhos. foi tão óbvio que a sua alma se encheu de confiança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tirou mais um croquete da mesa mais próxima e pensou se faria bem em aproximar-se da dela ao primeiro olhar, seria um bocado rebarba descontrolada, próprio de alguém que não está acostumado a que olhem para ele "olha-me esta! a olhar para mim, já foste's!". no fundo foi o que pensou, mas isso não podia mostrar. manter o nível. além disso o seu cepticismo não permitia que se agarrasse muito a esta tese. conhecia suficientemente o jeitinho inato para fazer merda mesmo numa situação aparentemente ganha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mastigou o croquete bem mastigadinho e pensou, pensou, e mastigou o croquete. entretanto passaram uns canapés com uma uva em cima e bacon lá para o meio e tirou um, tinham bom aspecto. afinal estavam um bocado oleosos, mas comiam-se. que raio, tinham uma folha de qualquer coisa verde que não conseguiu identificar, até o palito ficou verde ali à volta. se o palito ficou assim, como é que estariam os seus dentes agora?! merda. tinha que ir à casa de banho verificar. engatar de dentes verdes só funciona com raparigas muito específicas. pousou o copo de moët&amp;amp;chandon e antes que se voltasse ouviu "os croquetes devem estar mesmo bons, ainda não saíste daqui do pé da mesa" era ela! merda, ela tomou a iniciativa, e ele não teve tempo para pensar em nada, ainda estava a mastigar o canapé com coisas verdes e tinha a cabeça completamente oca, sobretudo depois de uma pickup line daquelas. "por acaso estão, a minha tia faz uns parecidos" a minha tia! que estupidez de conversa, a tia dele fazia croquetes, ainda por cima cuspiu um bocado de casca de uva, será que ela viu? e agora? assumia que tinha cuspido e fazia uma piada acerca disso? que género de piada? ela continuou "ai faz? é cozinheira?" pronto, pior do que a conversa de merda era ela entrar na conversa, dar hipóteses àquela conversa, mais valia que tivesse gozado com ele, assim podia baixar logo a guarda e adoptar a postura nº3 'pois, eu sei que sou estúpido, gozo comigo próprio e é por isso que me achas piada' mas agora tinha que entrar na conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bom, decidiu mudar a direcção "não, eu não tenho tios. estava só a querer parecer interessante" - "ahaha, fizeste um bom trabalho, fiquei mesmo interessada na tua tia" - "hhmm.. então também te deves estar a divertir tanto como eu aqui nesta festa" - "sim, não conheço quase ninguém, sou irmã da galerista" - "ah, boa, eu sou irmão da artista" - "ah, isso é interessante, podias ter começado assim a conversa. então explica-me lá, ela é mesmo bipolar?" - "não, é só parva" - "foi o que me pareceu ... aquela escultura que parece revestida a vomitado é um bocado fálica, quando a vi pensei que a tua irmã também tinha visto um vídeo que me mandaram por mail chamado 'extreme blowjobs'" - "ahahaha" - "que vergonha, ainda agora te conheci estou com estas conversas, eu não sou assim, ok? isto é do champanhe" - "não faz mal, eu vou só ali dizer à minha irmã para mudar de galerista" mas a gargalhada marcou o momento em que se deslumbrou com ela. a conversa estava um bocado exponencial, ele imaginou-a um pouco mais uptight, mas no mínimo tinha encontrado alguém com quem falar o resto da festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"olha, já agora, estava a evitar dizer-te mas tens uma coisa verde nos dentes" - "ah! obrigado, epá e desculpa lá também eu não te ter dito antes, estava com vergonha, mas tu estás com uma maminha de fora" - "ai meu deus! estava assim há muito tempo?!" - "desde que chegaste à festa. vou buscar mais champanhe, queres?"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-4345722806904847328?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/4345722806904847328/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=4345722806904847328&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/4345722806904847328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/4345722806904847328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2010/04/obvio.html' title='óbvio'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-1271898606365707319</id><published>2010-04-13T02:04:00.002+01:00</published><updated>2010-04-13T12:25:52.800+01:00</updated><title type='text'>v2.0</title><content type='html'>a última vez que consegui sentir-me, foi quando o puto começou a falar. tenho a certeza de que esse foi o último momento em que achei que a vida era uma coisa admirável. ele estava não só a falar, estava a dizer as palavras que eu lhe ensinava. ou as que me ouvia dizer, algumas delas pode dizer-se que em momentos menos felizes. durante as semanas seguintes eram palavras atrás de palavras, pai, gato, bola, foda-se, gaja, alguns encadeamentos de palavras, quero gato, foda-se bola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um dia aprendeu a palavra miragem. não sei onde a foi buscar, não me lembro de a ter dito, pelo menos vezes suficientes para ele a registar, e apesar de nunca ter pensado nisso antes, sempre achei por intuição que aquela palavra dificilmente seria pronunciada por uma criança, até que ouvi o meu filho dizê-la. miragem? diz filho, miragem o quê? queres a bola? queres o gato? "miragem!" repetia ele. com o tempo esqueci-me deste pormenor da sua aprendizagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com o tempo esqueci-me que estava a educar um filho e tentei recomeçar a minha vida normal. a minha vida antes de ter um filho. isto é, lembrei-me durante a sua educação que me tinha esquecido da minha própria educação, que estava a viver a vida dele. normal. então recomecei a normalidade, reeduquei a minha vida, e esqueci-me da educação do meu filho. só desisti deste irritante exercício de estilo quando percebi que já não havia normalidade, que a minha vida era agora outra coisa, um regresso a fosse o que fosse já não fazia sentido, não havia nada onde regressar, isso seria desistir do meu filho. e foi então, por volta dos seus 8 anos que deixei de sentir fosse o que fosse. felicidade ou infelicidade, só havia o meu filho. e o meu gato.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-1271898606365707319?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/1271898606365707319/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=1271898606365707319&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/1271898606365707319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/1271898606365707319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2010/04/20.html' title='v2.0'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-7176947997001014203</id><published>2010-03-05T03:34:00.006Z</published><updated>2010-03-05T18:21:58.416Z</updated><title type='text'>m/f</title><content type='html'>J- pois não sei, vejo-te todos os dias chegar a casa cansada.&lt;br /&gt;A- e então? estou a trabalhar. trabalhar cansa.&lt;br /&gt;J- hmmm...&lt;br /&gt;A- hmmm o quê? duvidas que esteja a trabalhar?&lt;br /&gt;J- não duvido que estejas a trabalhar em alguma altura do teu dia.&lt;br /&gt;A- isso quer dizer o quê?&lt;br /&gt;J- quer dizer exactamente isso.&lt;br /&gt;A- ai a merda.. estás a insinuar o quê, diz lá?&lt;br /&gt;J- estou a insinuar que vens demasiado cansada para o trabalho que tens.&lt;br /&gt;A- sabes lá tu o trabalho que eu tenho? o que é que tu sabes do meu trabalho?&lt;br /&gt;J- sei que trabalhas à secretária. e vens geralmente a querer sentar-te "urgentemente" depois de fazeres uma viagem de 10 minutos de carro. sentada outra vez.&lt;br /&gt;A- olha, é assim: o meu trabalho cansa-me, cansa-me a cabeça, quando venho para casa o trânsito cansa-me, e quando chego a casa tu cansas-me. preciso de descansar. se estás a insinuar alguma coisa para além deste encadeamento lógico de acontecimentos diz já ou deixa-me descansar em paz.&lt;br /&gt;J- estou a insinuar que acho estranho que uma vez por semana chegues a casa às 11 da noite, de vez em quando chegas de madrugada. já chegaste às 5, e de manhã estavas a voltar para lá ainda não eram 8. mas os restantes dias da semana chegas a casa às 6 da tarde, como se todo o trabalho do teu escritório te caísse em cima apenas um dia por semana. e o que eu ando desconfiado é que não é bem o trabalho que te cai em cima uma vez por semana.&lt;br /&gt;A- tás parvo??&lt;br /&gt;J- não, não estou parvo, estou farto. estou farto de andar a fingir que não percebo que vens a cheirar a latex e a perfume de gajo e a álcool. estou farto de ignorar as vezes que ligo para lá à tua procura e ninguém atende, porque obviamente, às 10 da noite não está ninguém a trabalhar!&lt;br /&gt;A- a cheirar a quê? tu és doido? já te disse que se atender o telefone arrisco-me a que seja mais trabalho e venho ainda mais tarde para casa!&lt;br /&gt;J- ah, exacto e também tiras o som do telemóvel para não te desconcentrar, tal a pressa que tens em vir para casa.&lt;br /&gt;A- isso é porque tenho reuniões durante o dia e esqueço-me de voltar a pôr o som!&lt;br /&gt;J- sempre?! sempre que ficas lá até tarde tens reuniões durante o dia e esqueces-te de voltar a pôr o som no telemóvel?! a sério, deves achar que eu fiz uma lobotomia em vez de uma endoscopia.&lt;br /&gt;A- quem me dera estar a foder em vez de estar a trabalhar! contigo ou com outro gajo qualquer, era-me indiferente! é isso que queres ouvir?&lt;br /&gt;J- não. quero que admitas que não estás a trabalhar, se calhar estás a fazer outra coisa qualquer que não a foder. num grupo de alcoólicos anónimos, numa festa a encher balões, não sei. a trabalhar não estás.&lt;br /&gt;A- nao estou?! ahah ok! se o omnisciente da aldeia diz que eu não estou a trabalhar se calhar estou enganada e os meus patrões também. se calhar é porque tu não trabalhas que tens a mania que os outros também não fazem nada da vida deles, eu não fico em casa o dia todo a coçar o rabo, para eu trabalhar tenho que sair de casa! e às vezes tenho que ficar lá até tarde!&lt;br /&gt;J- em primeiro lugar, se eu não ficar em casa a limpar esta merda toda, a lavar a tua roupa, a passá-la a ferro, a ir comprar o teu jantar e a fazê-lo, passas a ser a robinson crusoe lá do teu escritório, assumimos que isto ia ser assim e é de um baixo nível atroz que me atires isso agora à cara. não tenho culpa que ainda não tenhamos conseguido engravidar, sabes bem que eu fiquei em casa com objectivos bem definidos. em segundo lugar, e antes que te enterres mais, ontem passei no teu escritório à meia noite, e o segurança disse-me que não estava lá ninguém desde as 7 da tarde.. vim para casa e estive o resto da noite a chorar à tua espera. quando tu chegaste, às 4!! eu ainda estava acordado. pronto, a conversa começa agora!&lt;br /&gt;......&lt;br /&gt;A- andas a seguir-me?&lt;br /&gt;..&lt;br /&gt;J- vais virar isto ao contrário? não percebeste? eu fui lá! sei que tu não estavas lá! ainda no início desta conversa me estiveste candidamente a explicar que estiveste lá a noite toda e que mandaram vir umas pizzas. porque até ao final preferia não acreditar no óbvio, podias ter ido trabalhar para o jardim, não sei. nesse caso seria injusto acusar-te por um mal-entendido, só querias contacto com a natureza!&lt;br /&gt;.....&lt;br /&gt;A- estavas a manipular-me no início da conversa?!&lt;br /&gt;J- epá desiste! pára! ainda não entendeste?? estás a tentar ter razão nesta altura?!&lt;br /&gt;.....&lt;br /&gt;.....&lt;br /&gt;J- queres dizer-me alguma coisa agora?&lt;br /&gt;.....&lt;br /&gt;A- é preciso?&lt;br /&gt;J- é.&lt;br /&gt;.....&lt;br /&gt;A- não é fácil..&lt;br /&gt;J- faz um esforço, eu também tenho feito.&lt;br /&gt;.....&lt;br /&gt;....&lt;br /&gt;A- tenho um caso com a tua mãe.&lt;br /&gt;J- hã??!&lt;br /&gt;A- tinha um caso com o teu pai, mas depois percebi que era lésbica.&lt;br /&gt;J- vai à merda!&lt;br /&gt;A- vai tu à merda. estou farta desta conversa. acabou.&lt;br /&gt;J- acabou?? tás-te a passar! que explicação é que tens para o que eu te acabei de dizer?!&lt;br /&gt;A- não tenho explicação nenhuma, há coisas inexplicáveis.&lt;br /&gt;J- aaaaaahh!! que raiva! és tão puta! não penses que te vais escapar desta conversa assim! abre a porta! abre a porta já andreia cristina!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-7176947997001014203?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/7176947997001014203/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=7176947997001014203&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/7176947997001014203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/7176947997001014203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2010/03/mf.html' title='m/f'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-3235735065812095586</id><published>2010-03-02T01:25:00.005Z</published><updated>2010-03-05T04:08:02.839Z</updated><title type='text'>wunderbar</title><content type='html'>para conseguir saltar para o outro lado do muro começou por pôr as mãos no seu topo e desde logo descobriu que este tinha vidros partidos incrustados para evitar estas situações estúpidas. olhou à sua volta e procurou outra solução enquanto tentava estancar o sangue que lhe encharcava as mangas. tirou a camisola e lançou-a para cima do muro a fim de ter uma protecção para voltar a apoiar as mãos. subiu, lançou-se do outro lado e tentou retirar a camisola que ficou presa nos vidros. para além dos cortes nas mãos tinha agora cortes nos braços, nos joelhos, não tinha camisola, mas tinha mais experiência, ficou mais adulto. pensou na vida e congratulou-se com o facto de ela ser uma aprendizagem constante. sorriu enquanto fugia da besta satânica que guardava este lado do muro e que se aproximava à razão de 2 para 1. conseguiu sair, pelo portão, que estranhamente estava apenas encostado. o cão não saiu. tem medo da vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-3235735065812095586?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/3235735065812095586/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=3235735065812095586&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/3235735065812095586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/3235735065812095586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2010/03/wunderbar.html' title='wunderbar'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-4479216808371074986</id><published>2010-02-12T13:06:00.002Z</published><updated>2010-04-22T01:51:55.317+01:00</updated><title type='text'>O egoísmo miserável desses sub-humanos</title><content type='html'>Enojam-me as pessoas carentes, de tal modo que não consigo sequer tentar suprir-lhes a carência e contribuo para a decadência da relação a dois à qual pertenço sem intenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contribuo para a decadência do ser humano visto da perspectiva de outro. Para a vergonha sem consciência de a ter, de andar em público com o corpo à mostra, com um corpo feio e decadente de quem não volta a recuperar a forma inicial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irrita-me a falta de capacidade de auto-análise das pessoas que sofrem, da forma como ignoram os sinais dos outros sobre a triste figura, do sentido mesquinho e exagerado que dão a um acontecimento nascido da natureza para os violar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas pessoas que crêem ser o centro do universo, num renascimento pretensioso baseado no coitadinhismo ortodoxo, essas carpideiras egoístas sem vontade de relativizar a dureza da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dão-me vómitos. Gritar-lhes-ia ao ouvido que o mundo não é deles, e que nem sequer deles se lembra, nem para eles foi criado, que morram sozinhos pela incauta forma de se dar e se mostrar aos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Burros que não entendem que eu sou o único ser vivo que se pode orgulhar de sofrer com todas as letras, e cujo martírio ficará escrito na mente dos homens como o exemplo daquele que sofreu sem ter culpa de o fazer e contra a sua vontade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-4479216808371074986?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/4479216808371074986/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=4479216808371074986&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/4479216808371074986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/4479216808371074986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2010/02/o-egoismo-miseravel-desses-sub-humanos.html' title='O egoísmo miserável desses sub-humanos'/><author><name>Zé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03871920755849759365</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-3639282044482710261</id><published>2010-02-02T03:11:00.006Z</published><updated>2010-02-02T05:14:06.563Z</updated><title type='text'>empregado do mês</title><content type='html'>a semana passada cruzei-me com o tipo do restaurante que fica por baixo da casa da Joana. disse-lhe olá, ele como não estava à espera, ignorou-me. ele vinha com a farda do trabalho, camisa preta, calças brancas, caneta no bolso da camisa. não, ao contrário, camisa branca, calças pretas, obviamente. cabelo cheio de gel ou brylcreem ou óleo das batatas, penteado para trás-esquerda. fiquei a vê-lo, ia ter com uma rapariga do outro lado da estrada. era loira, gordita, mamas grandes, um estilo de roupa muito em voga na Malveira da Serra, e uns Aviator iguais aos meus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deu-lhe um beijo na boca. ela agarrou-lhe nas mãos e ficaram a falar, ela sorria mais que ele. ele soltou as mãos e tirou um cigarro. falaram bastante tempo, basicamente o tempo da Joana descer desde que eu tinha tocado, uns 10 minutos. no fim despediram-se, ela sorrisinhos, ele Chuck Norris. enquanto ela meteu o capacete e montou a Vespa, ele atravessou a rua, passou por mim, disse-lhe olá, ele ignorou-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Joana chegou nesse momento, passou por ele distraída, a compor o decote, ele, todo sorrisinhos, não estava nada distraído e disse "olá boneca!" a Joana riu-se e disse olá. perguntei-lhe se ele lhe chamava boneca sempre que a via, ela ridicularizou-me, perguntou se eu tinha ciúmes do empregado do restaurante. não era isso que estava em causa, expliquei-lhe. em ti eu confio, nele não, ainda por cima digo-lhe olá e não me responde, deve ser mesmo porque me vê como um rival do engate. "ele nem sabe quem tu és!" respondeu-me. raiva. então não sabe? fomos lá jantar no outro dia, da vez que nos chateámos porque os empregados passaram a noite toda a olhar para as tuas mamas. "sim, e tu achaste que a culpa era minha", eu não achei que a culpa era tua, só queria que estivesses mais complacente com a minha causa e não ignorasses quando te chamei a atenção para isso. "então preferias que lhes desse atenção? se calhar devia ter dado" não é atenção a eles, é atenção ao que eu te estava a dizer, podia não ter assim tanta importância mas ganhou-a assim que não deste importância nenhuma. merda, não queria discutir com ela "não quero discutir contigo, mas tu és difícil, tenho que te ignorar para não nos chatearmos", eu é que tenho que te ignorar, disse ela. "mas isso já tu fazes sempre" disse eu. "merda zé, acabei de sair de casa, já estás a fazer isto".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"desculpa, esquece lá isto então... achas o gajo giro?" ela riu-se, muito alto. pensei que era sinal que não, mas ela disse que sim. "tem pinta", pinta de chulo?, "não, tem um charme qualquer, tem pinta de empregado de restaurante, mas isso até lhe dá piada". não entendo. achas piada a pessoal de farda, é isso? "não, é qualquer coisa especial, é giro, tem expressões fortes, cara máscula" coisa que eu não tenho? "não, tu tens mais cara de puto"... sempre esta merda. cara de puto é uma coisa muita fixe quando se quer andar em carroceis sem levantar suspeitas mas serve de pouco quando se quer ter a certeza de que a namorada tem tesão por nós, em alturas que ela nos compara a um gajo com cara "máscula", a quem acha "piada". eu é que comparei??? disse ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ontem já deitados, durante os preliminares de qualquer coisa, lembrei-me de lhe dizer que a conversa da semana passada veio a propósito do gajo ter ido falar com uma rapariga que me pareceu namorada dele. "não, ele não tem namorada" ??? perguntei-lhe como é que sabia, ela disse-me que falou com ele durante a semana que passou. e não me disseste nada? "já sabia que ias ficar com ciúmes" porque é que ia ficar com ciumes, há razões para isso? "não". raiva. mas falaste com ele porquê? "foi ele que falou comigo", epá, ó Joana, ajuda-me lá um bocado nisto, ainda a semana passada falámos dele, agora sabias que era do meu interesse e não me dizes que estiveste a falar com ele, ainda por cima acerca de namorados? também lhe disseste que não tinhas namorado? "ó zé, vai à merda". puxou a t-shirt para baixo e virou-se para o outro lado. eu ainda tive que procurar as minhas cuecas no intervalo entre o colchão e a cama.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-3639282044482710261?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/3639282044482710261/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=3639282044482710261&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/3639282044482710261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/3639282044482710261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2010/02/empregado-do-mes.html' title='empregado do mês'/><author><name>um parvo qualquer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06702601649040023387</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-8270913824545946814</id><published>2010-01-26T00:25:00.007Z</published><updated>2010-01-26T02:30:29.356Z</updated><title type='text'>zero</title><content type='html'>a frieza com que assisto ao azar dos outros não é criticável, não posso fazer nada contra a minha indiferença correndo o risco de ser cínico. não sinto. não vou mentir para me mostrar humano. eu tenho quase a certeza que sou humano, mas não sinto muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sou compreensivo. esforço-me por entender que se fosse eu naquela posição estaria na merda, e isto serve-me para transmitir algum apoio, mas não compaixão. apoio é mais "pois, isso é fodido... epá, pois..." eventualmente um "força nessa merda, tens que cagar nisso" e aqui estou muito mais próximo de transmitir o que na prática sinto. que me estou a cagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nem sei se estaria realmente na merda se fosse comigo, muitas vezes não sinto nada perante o meu próprio azar. não sei se a isso se chama optimismo perante o futuro, ou apatia para com o presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tento de tempos a tempos imaginar o meu funeral. uma morte precoce e um funeral bem anunciado, todos os que eu alguma vez conheci lá estariam, ainda que grande parte deles não tenha qualquer contacto com quem os poderia avisar. "olha, o zé morreu". "estou? olá, era só para dizer que o zé... meu deus! (soluços) o zé finou.. a dor! o funeral é amanhã. BYOB"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aí sim. aí, ao imaginar todos os meus amigos e conhecidos a sofrer com a minha morte, todos a chorar, aí a dor parece-me real, e aí sim, vêm-me lágrimas aos olhos. muitas vezes acabo aqui sozinho também eu a soluçar. morri! e como eles sofrem sem mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a dada altura da minha vida, para não me rir em funerais (acontecia demasiado) imaginava um garfo a espetar-se-me nas costas da mão. agora imagino a minha própria morte e começo a chorar. talvez por isso agora me convidem muito para funerais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;só há uma coisa que me incomoda, a forma como morreria. soa sempre patética. "sabes quem foi atropelado pelo filho do embaixador do Brasil?? aquele gajo da primária, o zé. LOL!!!". ridículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o suicídio não parece mal. mostra controlo sobre o meu destino. talvez não sobre a minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estou a brincar. don't bother calling.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-8270913824545946814?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/8270913824545946814/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=8270913824545946814&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/8270913824545946814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/8270913824545946814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2010/01/zero.html' title='zero'/><author><name>um parvo qualquer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06702601649040023387</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-116268490880188896</id><published>2006-11-04T23:59:00.000Z</published><updated>2006-11-05T00:02:49.236Z</updated><title type='text'>aquecimento global</title><content type='html'>o meu carro aquece, o meu computador aquece, o meu frigorífico não arrefece, foda-se!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-116268490880188896?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/116268490880188896/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=116268490880188896&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/116268490880188896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/116268490880188896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2006/11/aquecimento-global.html' title='aquecimento global'/><author><name>um parvo qualquer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06702601649040023387</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-115810619524552173</id><published>2006-09-13T01:08:00.000+01:00</published><updated>2006-09-13T01:39:27.386+01:00</updated><title type='text'>techarts</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.glarkware.com/"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 0px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/50/3425/400/hexagons_sorry_periodic.0.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;têm umas ideias porreiras estes cabrões de merda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-115810619524552173?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/115810619524552173/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=115810619524552173&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/115810619524552173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/115810619524552173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2006/09/techarts.html' title='techarts'/><author><name>um parvo qualquer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06702601649040023387</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-115808772695020590</id><published>2006-09-12T19:50:00.000+01:00</published><updated>2006-09-13T04:07:34.830+01:00</updated><title type='text'>hoje às 10 fui ao Minipreço</title><content type='html'>hoje às 10 fui ao Minipreço comprar leite para o pequeno almoço. quando chego ali à Bica passa por mim a vizinha que está sempre à varanda daquele 2º andar ali do fim da rua, a mulher do bigodes que aos fins de semana põe o CD do Benfica a tocar para a rua toda, pelo menos uma vez completa, antes dos jogos do Glorioso. não parecem casados, durante algum tempo pensei que fossem pai e filha, principalmente pela forma como ele ignora os sorrisos que ela me manda da varanda quando levanto o pescoço para dizer bom dia e aproveito para lhe espreitar as cuecas. ela é gira, morena, parece ter cerca de 30 anos, ele prái 50. ela tem um par de mamas colegial, do género do da Vanessa do secundário, que era do género do da Bo Derek se fosse camponesa. ele tem a barriga de um porco. as roupas dela são provocadoramente brejeiras e não entendo se são óptimas para a sua voluptuosidade ou se esta advém das outras. a varanda ajuda à analogia com um conto infantil no qual ela é uma princesa e ele um ogre e eu o vizinho da frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje quando me cruzei com ela, não sei se pelo pudor da proximidade, fiz apenas um sorriso, ela também, mas abrandou a olhar-me fixamente e ouvi-a mesmo dizer "sabe..." mas fingi que não ouvi, não sei bem porquê, talvez por estar acordado apenas há 5 minutos e o meu cérebro ter processado a informação de forma tão lenta que receei que fosse parecer um atrasado mental por parar apenas 10 metros à frente. se me quisesse realmente falar voltaria a chamar-me, mas não voltou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estive na fila do supermercado a procurar os decotes à volta, mas àquela hora não havia nenhum tão excesivo como os que a minha vizinha costuma usar, e como o que usava hoje de manhã. estava ainda na ressaca da minha erecção matinal e comecei a fantasiar sobre o que me poderia querer dizer, e que passaria sempre pelo quão excitada ficava quando me via e que não pensava noutra coisa senão algemar-me à cama dela e rasgar as nossas roupas e vir-se 10 vezes em cima de mim com um sorriso nos lábios. estava tão distraído com a ideia de ela me poder voltar a falar quando passasse pela sua varanda no caminho para casa que disse "obrigado, beijinhos" ao indiano da caixa e que agarrei no saco de outra senhora, que não gostou muito e que comprou pensos higiénicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no regresso a casa encontrei a vizinha da outra ponta da rua que tem 80 anos e não gosta muito da outra por ser uma inútil e uma porca. pediu-me para a levar até porta da casa dela por causa do pé operado no mês passado e assim a vizinha, que estava à janela, não me falou, e eu para não desagradar à dona Floribela também não olhei para ela e perdi o pretexto para voltar a passar por ali sozinho. mas amanhã assim que o marido sair para a obra no Seixal, vou lá tocar à campaínha para irmos juntos ao Minipreço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-115808772695020590?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/115808772695020590/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=115808772695020590&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/115808772695020590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/115808772695020590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2006/09/hoje-s-10-fui-ao-minipreo.html' title='hoje às 10 fui ao Minipreço'/><author><name>um parvo qualquer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06702601649040023387</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-115402792139114732</id><published>2006-07-27T20:01:00.000+01:00</published><updated>2006-07-27T20:26:12.706+01:00</updated><title type='text'>o drama do ócio</title><content type='html'>ando desconfiado de que não tenho muito para escrever aqui. não tenho um tema para este blog. vou falar de mim? acho que a primeira intenção foi exorcizar alguns pensamentos, sim. agora depois de perder algum tempo a arranjar a página, que nunca estará acabada, não me parece tão lógico cuspir práqui 500 factos sobre a minha vida pessoal sem qualquer tipo de ordem, nem contexto, a pessoas que não conheço ou se conhecer, tanto pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vou inventar uma profissão, um carácter, uma vida, misturo-os com os os meus, e faço psicanálise disfarçadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;entretanto já falei nisto a alguns amigos, o que me vai estreitar as manobras. foi estúpido, mas acho que foi a maneira de saber que isto teria uma ou duas visitas pontuais. mesmo assim é bem possível que não venham cá uma única vez. não são bem amigos. eu não tenho amigos. excepto os pombos daqui do bairro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-115402792139114732?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/115402792139114732/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=115402792139114732&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/115402792139114732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/115402792139114732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2006/07/o-drama-do-cio.html' title='o drama do ócio'/><author><name>um parvo qualquer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06702601649040023387</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-115371801502646024</id><published>2006-07-24T05:59:00.000+01:00</published><updated>2006-07-24T12:55:50.416+01:00</updated><title type='text'>é como se tivesse nascido outra vez</title><content type='html'>e pronto, entro assim neste novo mundo do post-desabafo. assim meio trôpego, mas muito entusiasmado, pelo menos tanto quanto se pode exigir a esta hora, sempre com a certeza que nunca me abandonou nesta hora e meia de criação pura de que foi muito mais difícil pôr a funcionar este blog do que será abandoná-lo, como faço com todas as coisas a que me entrego logo no início com esta alegria toda.&lt;br /&gt;pelo menos é segunda feira, dia de todos os inícios auspiciosos, menos o do descanso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não sei se devo saudar ou pedir desculpa aos surfistas prateados que aqui vêm naufragar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-115371801502646024?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/115371801502646024/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=115371801502646024&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/115371801502646024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/115371801502646024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2006/07/como-se-tivesse-nascido-outra-vez.html' title='é como se tivesse nascido outra vez'/><author><name>um parvo qualquer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06702601649040023387</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31564849.post-115371449927322233</id><published>2006-07-24T05:14:00.000+01:00</published><updated>2006-07-24T12:54:43.053+01:00</updated><title type='text'>testing</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;hã? o que é isto? ainda ontem estava em frança e agora já estou cá??&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31564849-115371449927322233?l=vendo-me.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vendo-me.blogspot.com/feeds/115371449927322233/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31564849&amp;postID=115371449927322233&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/115371449927322233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31564849/posts/default/115371449927322233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vendo-me.blogspot.com/2006/07/testing.html' title='testing'/><author><name>um parvo qualquer</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06702601649040023387</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
